Sábado, 31 de Agosto de 2019

Desiguais (2019-05-10)

 

 

Porque não são todos iguais

os dias passam deixando em nós

as marcas mais diversas,

se uns são cinzentos e fechados

acabrunhando-nos a alma,

outros são esplendorosos

na harmonia completa entre céu e terra.

Passam uns atrás dos outros,

quase sem darmos pela sua corrida

e no entanto, de tempos a tempos,

quando nos olhamos ao espelho,

lá estão eles!

Marcando-nos esta passagem,

que iniciámos faz tempo,

por esta terra em que os dias se alternam,

uns são melhores que outros,

uns são mais aprazíveis que outros,

não são todos iguais,

mas são os dias que passam por nós,

que nos corroem o corpo

e transportam para a dimensão seguinte.


publicado por canetadapoesia às 22:41
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2019

Há dias e dias… (2019-04-28)

 

 

Por vezes é assim, sem dificuldades,

iluminam-se-me as palavras na mente

e como “néon” colorido, acendem e piscam

neste cérebro que já teve melhores dias,

mostrando tópicos a explorar ou

caminhos a seguir para a escrita.

Mas há outros dias…

Onde só o olhar para a caneta ou

para o imaculado das folhas à minha frente,

me causa uma fobia, um terror mesmo irracional

de não conseguir com estas ferramentas

produzir qualquer linha de escrita e,

se um poema não nasce,

quanta tristeza no mundo da palavra

que vê nas letras a emancipação natural

da racionalidade e inteligência humana.

Por isso eu tento, procuro escrever,

desenhar as letras num imaculado papel,

mesmo que a lassidão me imponha

a natural preguiça para escrever,

eu tento e escrevo, e volto a tentar e a escrever.

Por vezes saem coisas que mesmo eu

me admiro de ter escrito com tal elevação,

outras vezes, só me soam a hieróglifos…


publicado por canetadapoesia às 23:51
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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2019

Uma gota de água (2019-04-25)

 

 

Caiu-me uma gota na testa,

uma gota de água pura e límpida,

caída de um céu azul que ofusca,

onde uma nuvem solitária passou veloz a caminho do sol.

Escorreu-me da testa, passou pela vista

E na sua correria descendente,

atravessou-me o rosto em direcção ao solo.

Deixou-me na face um sulco brilhante,

cheio de milhões de partículas da vida que irá brotar

deste chão onde finalmente se derramou.

Ao baixar a cabeça notei que no local onde caíra e se aninhara,

um tufo de verde flora já despontava e sonhei

que ao desenvolver-se, brevemente teríamos mais uma etapa

da vida de frondosas e benditas árvores,

que nos alimentam do seu imprescindível oxigénio!


publicado por canetadapoesia às 23:12
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

O banco de jardim (2019-04-20)

 

 

Aquele era o lugar preferido do jardim

o banco que mais lhe agradava,

mal chegava ocupava-o logo.

Sozinho ali sentado com o caderno e a caneta,

não que fosse um banco especial,

o mais cuida e o menos vandalizado,

mas porque dali assistia regularmente

ao nascer da primavera no alargado relvado.

Sentia o odor que as plantas exalavam,

essencialmente as que se rodeavam de abelhas,

os pássaros compunham melodias extraordinárias

e de vez em quando vinham, suavemente,

pousar na extremidade do banco

emitiam uns trinados breves e partiam,

respondendo a chamamentos que não entendia

mas percebia como encantos da estação.

Nos dias e horas em que aqui se plantava

não havia crianças e o silêncio imperava,

só entrecortado pelos sons da natureza,

era então que imaginava o paraíso.

Um tapete verde ainda húmido das gotas

Que alguma nuvem resolvesse soltar,

Plantas viçosas e em rebentos mil,

árvores frondosas e sombra fresca.

Um paraíso!

Tudo num jardim público bem tratado

onde até a caneta deslizava

sobre as folhas imaculadas de um caderno de poesia!


publicado por canetadapoesia às 23:45
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2019

O país de sonho (2019-04-18)

 

 

Ouvia-se música ao fundo,

por entre as profundezas de Bach

escuta-se um pequeno

quase silencioso restolhar,

a caneta já deslizando sobre o papel

branco como a cal da parede

mas logo regurgitado de coisas estranhas,

ao afastar a cabeça, notavam-se

linhas horizontais e paralelas até ao infinito.

Ajeitava os óculos, aproximava a cabeça e então,

já menos desfocada a imagem,

surgiam linhas de uma escrita,

umas atrás das outras,

com um pequeno intervalo.

Palavras inteiras, frases completas,

distinguia agora nitidamente

o que nem ao escrever lhe fazia sentido,

podia ler tudo e encadear a escrita

que finalmente o transportava para longe,

para lá do horizonte finito a que tinha acesso,

via longe, mesmo além do infinito.

Sentia-se então levado de nuvem em nuvem

para o país dos sonhos onde só havia lugar para alguns,

entrava no país dos poetas e da poesia.

Estava em casa!


publicado por canetadapoesia às 23:39
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Domingo, 25 de Agosto de 2019

Encanta-me (2019-04-22)

 

 

Quando vos olho distraidamente

sinto uma sensação estranha,

a maçã de Adão sobe e desce e,

a dificuldade em engolir,

aumenta extraordinariamente,

fecha-se-me a garganta e eriça-se a pele.

Reparo nas andanças de um a outro lado,

nas brincadeiras que fazem as duas,

supervisionadas pelo riso da pequenina,

ou até, quando sozinhas,

se entretêm com sonhos que só a vossa idade permite.

Emociono-me e agradeço pelo que a vida,

que foi difícil e complicada,

me presenteia com coisas que,

de tão simples e corriqueiras no mundo,

me consolam e enchem de felicidade.

Posso mesmo dizer que me sinto e sou feliz!

Não tendo nada, mas tendo tudo.

Sendo, enfim, proprietário do que,

mais que materialmente valioso,

é superior e sensitivamente engrandecedor,

a alma cheia do amor que tenho

às minhas três princesas deste coração

que as acolhe e enriquece de paixão.

Sou feliz, sou rico e no entanto,

nada tenho de material que seja vendável!


publicado por canetadapoesia às 23:31
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À nossa volta (2019-08-10)

 

 

Pelos sinais se reconhece o lugar

porque os sons que nos rodeiam

não deixam qualquer dúvida.

O grasnar dos patos relativamente perto,

mais junto à casa o cacarejar galináceo,

o galo não se cala desde os alvores

de um dia que se espera quente.

Mais afastados, a égua relincha

com a felicidade de se sentir em liberdade

num campo em que predomina a relva fresca

e apetecível aos seus instintos alimentares ou,

quem sabe se será também,

por sentir o alazão ali tão perto, mas limitado ao cercado.

É o campo, a vida agrícola que,

ao ar que ainda é livre e aqui mais puro,

se apresenta coberta destes sons da vida

que há muito deixámos de sentir na cidade.

Inebriamo-nos esta aparente sonolência

de uma vida que é dura para quem a vive,

nostálgica para quem, de tempos a tempos,

percorre a distância para a sentir

e saborear esta sensação que nos traz

renovação de sentimentos e estímulos de vida

gozando a paz campestre à nossa volta.


publicado por canetadapoesia às 00:50
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Sábado, 24 de Agosto de 2019

Longa ou curta (2019-08-15)

 

 

É na separação que nos sentimos longe do que

Habitualmente nos cerca, seja longa ou curta a separação,

fica sempre aquela sensação que traduzimos magistralmente

por uma palavra única no mundo só existente

na nossa universal língua “mátria”…

“Saudade”!

Um misto de afastamento e emoções com

uma vontade de abraçar e sentir sempre junto ao coração,

em abraços apertados e prolongados,

com uma furtiva lágrima à mistura,

que estamos juntos e que somos únicos em carinho e amor

por aquele que, sendo sangue do nosso sangue,

ou talvez não, mas como se o fosse,

queremos ter sempre por perto da vista

para que estejam sempre perto do coração!


publicado por canetadapoesia às 00:51
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

O que assusta (2010)

 

 

O que assusta,

não é a onda do mar,

que se encapela furiosa,

que se lança em correria,

e desfalece na mansidão da praia.

Não, não é a onda que assusta.

O que assusta é o imenso mar,

aquele que se amontoa por trás da onda,

aquele que quando se decide,

quando se encapela em uníssono,

tudo empurra no caminho para a praia,

e tudo arrasta no seu retorno.

O que assusta não é a onda, é o mar que lhe dá origem.


publicado por canetadapoesia às 00:30
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2019

Poesia sem dono (2010)

 

 

A poesia não tem dono, é livre, é vadia,

anda por aí para quem a queira apreciar.

Há quem a escreva numa métrica certinha,

alinhada por sílabas e rimas perfeitas.

Mas a poesia pode ser diferente,

pode sair do peito que se enche de vida,

da alma que se inspira no olhar,

do sentimento que brota de uma lágrima.

A poesia é minha, é tua, é nossa,

é do mundo que nos envolve,

que nos revolve e nos atira

aos trambolhões pelas veredas da vida.


publicado por canetadapoesia às 23:52
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