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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

14
Ago19

Pequenas coisas (2010)


canetadapoesia

 

 

A vida faz-se de pequenas coisas,

outras maiores e

algumas sem dimensão.

A vida faz-se destas coisas,

encontros e desencontros,

amigos e outros menos.

Mas a vida faz-se de coisas boas,

amanhã far-se-á da vida um encontro,

entre tantos amigos,

que a virtualidade nos permite,

mas só a realidade cimenta,

só ela transforma pequenas em grandes coisas.

13
Ago19

Sucesso (2010)


canetadapoesia

 

 

Quem és tu sucesso,

que tanta procura tens?

Mas quem és tu sucesso?

Se quem te busca,

não encontra a felicidade?

Se não consegues fazer,

de tanto sucesso,

o sucesso de uma vida.

12
Ago19

Menino (2010)


canetadapoesia

 

 

Já fui menino,

senti o vento e a liberdade

das ruas e avenidas da minha infância.

Cabelos ao vento

desgrenhados e revoltos,

numa constante procura

da felicidade a prazo.

Recordo o tempo em que o relógio

não era mais que um empecilho,

que nos turvava o olhar

quando a hora chegava.

Revejo os pequenos momentos

em que sem nada ter

todo o mundo era meu.

11
Ago19

Imagem (2010)


canetadapoesia

 

 

Vista assim desta distância,

sob o manto diáfano do fim de dia,

nada mais sobressaia que o aspecto angélico,

do halo que simetricamente a rodeava.

Aproximo a vista, estendo as mãos.

Tento em vão agarrar por entre os dedos,

o etéreo da imagem que me deslumbra os olhos.

O que me fica nas mãos é ar, é nada.

O vazio continua para além da imagem,

reflectida nos olhos cansados de quem,

dela procura fazer futuro.

10
Ago19

Pingos (2010)


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Foram caindo de mansinho,

engrossaram lentamente,

de repente,

uma torrente tumultuosa,

se fez sentir pela rua descendente.

Foi a saída possível,

era o único caminho,

e desceu em tropeções,

correu de um lado ao outro da rua,

arrastou tudo o que tinha pela frente.

Limpou a rua,

literalmente, nada escapou à fúria,

e era só água,

fonte de vida e de morte.

09
Ago19

Prazo de estadia (2010)


canetadapoesia

 

 

Encheste-me o peito do verde que,

em planas terras plantaste.

Aqui e ali se levantavam ruminando,

pintados numa paisagem que só Deuses criam,

os animais de um presépio imaginado.

Deste-me um dia de chuva,

ventaste meus caminhos,

tombaste árvores e outros objectos de grande porte,

e no fim,

concedeste-me a passagem breve,

por um paraíso terreno e,

não satisfeito,

alargaste o prazo,

aumentaste a minha estadia.

08
Ago19

Pardais de Lisboa (2010)


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Às dezenas esvoaçavam à volta da mesa,

em círculos se revezavam,

um ou outro mais atrevido,

descurando a segurança,

picava directamente sobre o prato,

colhia uma migalha e,

num assomo arrojado,

digno de um furacão,

levantava voo com o tesouro no bico.

Pardais de Lisboa,

atrevidos, descarados, abusadores e simpáticos.

07
Ago19

De frente (2010)


canetadapoesia

 

 

De frente,

olhos nos olhos,

diz-me agora o que te vai na alma.

Não dizes?

Por falta de alma ou por falta de argumentos?

Balbucias uma desculpa,

sem nexo, sem razão aparente, sem motivo.

E, no entanto, o mal está feito,

o mal-estar criado não tem volta.

Nada será com era.

Nada será mais nada outra vez e,

tudo será como não devia ser.

06
Ago19

Campo de estrelas (2010)


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No céu um rastro luminoso de pontinhos esparsos,

um negrume imenso de onde só ressaltam as estrelas.

Brilhantes e cintilantes,

tantas que não consigo contá-las.

Mas o olhar, o meu olhar,

esse esculpiu-as em sucessivas constelações.

Agora, sobre o negrume do espaço,

os pontinhos brilhantes passaram a ser algo mais próximo.

05
Ago19

A Guerra (2010)


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Disseste-me que era necessária,

argumentaste que levava à paz.

Vestiste-me e armaste-me de forma sumária.

Preparaste-me física e psicologicamente,

mandaste-me avançar e matar se necessário.

Tudo em nome e defesa da Nação.

Tenho de te confessar que não cumpri,

recusei-me a ser o ceifeiro da morte,

na seara da vida humana.

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