Sábado, 11 de Janeiro de 2020

Choro do homem II (2011)

 

 

Porque choram os meus olhos

se os continuo a secar

de cada vez que uma gota tenta saltar

para longe do coração?

 

São talvez os escolhos de uma vida

que ainda não acabada de viver

já sente o desespero do nada.

 

E eu choro,

e sou homem,

mas os homens também choram,

e não é pouco.


publicado por canetadapoesia às 00:12
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2020

Baú da memória (2011)

 

 

Nos teus passeios rubros,

de acácias floridas com a força de uma terra de fogo,

calcorreei os quilómetros da felicidade.

Vivia no sonho de que um dia te libertarias

e nesse parto não via as dores da separação.

Abandonaste-me e eu abandonei-te.

Em vão esperando que uma palavra,

uma só bastaria, para que o regresso se fizesse,

e a palavra não veio, nunca apareceu.

Fechei o baú da memória guardando no fundo as recordações,

boas e más, que de todas tinha colecção.

Mais de quarenta anos depois resta-me,

de quando em vez, abri-lo, sentir-lhe o cheiro,

e ao voltar a fechá-lo guardar, no coração,

o que foi um grande amor e doravante

olhar-te de longe desejando que tenhas vida longa e feliz,

pois pensando bem,

já não te conheço, já não és o meu País. 


publicado por canetadapoesia às 21:11
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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2020

Na amurada (2011)

 

 

Debruçado sobre o mar

olhava ao longe o infinito,

e na mansidão do oceano

revia-me em ondas revoltas,

que a vida é mesmo assim,

mansa por vezes,

revolta em outras ocasiões,

mas sempre apaixonante.


publicado por canetadapoesia às 22:27
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

Voo de abutres (2011)

 

 

Voam em grupo,

os abutres,

esvoaçam sobre as cabeças

de inocentes admiradores,

que de tão belo planar

se extasiam embevecidos,

e de cada voo rasante

sentem na pele o arrepio

da carne que garras afiadas

lhes vão arrancando do corpo.


publicado por canetadapoesia às 23:18
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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2020

A musa (2011)

 

 

Pode ser qualquer coisa,

um objecto, uma situação,

talvez mesmo uma conversa,

ou, quem sabe, uma visão.

A musa, o princípio que despoleta o poema.

A mulher será sempre uma,

porque resiste à passagem do homem

que dela fará continuamente,

o sonho do seu poema,

que lhe retira a essência da beleza,

que todo o seu ser possui.


publicado por canetadapoesia às 22:05
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Domingo, 5 de Janeiro de 2020

Gioconda (2011)

 

 

De sorriso pacato e postura serena

serias quase uma Gioconda,

e naquela mesa de longa toalha de pano

ninguém diria que eras o vulcão que apreciei.

Quase em pânico tentava, em vão,

esquivar-me às investidas que fazias,

debaixo daquela mesa ia uma revolução,

e entre as pernas da mesa e as outras,

perdido na antecâmara

dessa efémera e avassaladora paixão,

ali me ficava em tuas sibilinas mãos,

e depois,

depois vinha então a refeição.


publicado por canetadapoesia às 23:20
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360º (2011)

 

 

Pelo corpo correu um calafrio,

sentiu que todos os músculos,

os tendões mais escondidos,

se tinham retesado ao contacto

com o frio da água da lagoa,

o coração disparou em aceleração.

Ao surgir de cabeça no espelho de água,

rodou-a 360º,

volteou-a de novo,

os olhos piscaram e brilharam

de tanta beleza natural à sua volta.


publicado por canetadapoesia às 00:08
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020

És bonita (2011)

 

 

É verdade que és bonita.

E não penses que o digo por dizer,

a verdade é que és mulher

e assim sendo és bonita,

porque toda a mulher é bonita,

seja em que idade for,

seja qual for a sua beleza.

És bonita, porque és mulher.

Por o seres,

tens em ti todo o erotismo do mundo,

porque o teu corpo não se compara a mais nada,

atrai, excita e ama como nenhum outro.

És bonita, és mulher,

e sempre me atrairás,

porque és bonita e excitante.


publicado por canetadapoesia às 22:54
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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2020

Aromas silvestres (2011)

 

 

Longe das modas e das vaidades das cidades,

caminhas pelas veredas da aldeia quase deserta

singelamente vestida de uma alma grandiosa.

Vais segura e caminhas, pé ante pé,

nada perturba o teu andar,

mesmo o olhar lânguido de quem da cidade aparece

perturba tua tão inocente beleza.

Esse corpo de desejos mil

e vontades tantas como as que da moda se vestem,

deixa no ar os aromas erráticos

que hão de encher uma cama

de silvestres flores por desabrochar.


publicado por canetadapoesia às 23:17
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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2020

Sob o seu manto (2011)

 

 

Sentei-me simplesmente!

Sem nada fazer, sem nada alterar.

Simplesmente sentado.

Nesse sentar sem pretensões

levantei a cabeça ao céu,

o que vi foi atordoante.

Naquela noite escura

por ausência de iluminações,

porque de campo se tratava,

o céu apresentava-se esplendoroso.

Milhões de pontos brilhantes,

cintilantes uns, fixos outros,

mas milhões de iluminações no escuro do céu,

que brindavam a nossa presença sob o seu manto.


publicado por canetadapoesia às 21:27
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