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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

19
Fev20

As nuvens (2012)


canetadapoesia

 

 

Olhei para cima e senti que caía,

miudinha,

uma chuva que tudo molhava e a tudo alastrava,

foi engrossando e os pingos,

passaram a pesar de cada vez que me atingiam,

voltei a olhar e o que vi não foi chuva,

o que vi foi um choro convulsivo,

eram lágrimas que se derramavam sobre mim.

 

Das nuvens caiam em cachoeira gotas de água,

as nuvens também choram,

e estas choravam de impotência,

de incapacidade de parar a estupidez humana,

que tem vindo a dar cabo deste mundo.

18
Fev20

Da janela do meu quarto (2012)


canetadapoesia

 

 

Da janela do meu quarto,

eu vejo a lua mesmo ao meu lado.

 

Da janela do meu quarto,

eu vejo as estrelas mesmo por cima de mim.

 

Da janela do meu quarto,

eu vejo o mundo mesmo ao meu redor.

 

Da janela do meu quarto,

não te vejo em lado nenhum.

17
Fev20

Mandela o grande


canetadapoesia

 

 

Que morreste disseram para aí,

que deixaste este mundo que muito ajudaste a melhorar,

que nos deixaste mais pobres, mais sós,

porque não eras uma referência,

de tolerância e sabedoria humana,

mas ao contrário,

ERAS A REFERÊNCIA.

 

Não, não morreste,

mudaste de dimensão para melhor olhares para nós,

que temos a obrigação de seguir teus ensinamentos,

e de cima, vês bem se aprendemos alguma coisa.

 

Simplesmente fechaste os olhos,

cansado do mundo que tão mal te tratou,

a quem tão bem trataste,

sem mágoas, sem rancores, sem ódios,

mas com amor a todos os que te rodearam.

 

E por seres grande entre os homens,

e por seres o maior de todos quantos África conhece,

e por estares entre os maiores do mundo,

criaste o universo em que te inseres,

que reconhecemos ser só teu,

que apreciamos por vir de um enorme ser humano.

 

Não te digo adeus,

estou certo que, na dimensão para onde agora vais,

nos havemos de encontrar todos de novo,

digo-te até lá.

16
Fev20

Cores do mundo (2012)


canetadapoesia

 

 

O que me faz falta é uma tela,

dessas que os pintores utilizam para criar sonhos,

uma tela em branco,

sem nada que a macule,

e nela quero pintar com todas as cores,

a panóplia do universo,

quero enchê-la de um caleidoscópio tal,

que mesmo olhando de longe,

veja o mundo todo colorido.

Quero uma tela, para pintar,

mas preciso de o saber fazer,

tenho de conhecer as cores que farão o mundo,

tornar-se um arco-íris.

15
Fev20

Prazeres da vida (2012)


canetadapoesia

 

 

Dos prazeres que a vida contempla,

alguns há que são puros prazeres do corpo.

Outros serão tão puros como eles,

mas são da mente.

Outros existem ditos impuros,

prazeres não consentidos socialmente,

prazeres proibidos.

Qual deles o mais apetecível?

Qual o mais apelativo?

Qual o mais cobiçado?

Prazeres proibidos, pois claro,

os que mais adrenalina consomem.

15
Fev20

Salpicos (2012)


canetadapoesia

 

 

No salpicar da água sobre mim,

despertei meus sentidos.

Na tua silhueta depositei meus olhos.

O corpo endeusado que da água surgiu,

cobri com meus desejos.

O meu,

recolhi ao anonimato do olhar.

13
Fev20

De cima de uma rocha (2012)


canetadapoesia

 

 

Sentado na posição de ausente,

o pensamento suspenso do tempo,

os olhos postos na proximidade da lonjura,

descaio o sentimento da perda

de grande parte da vida deixada por lá,

longe da vista e sempre perto do coração.

Do outro lado deste oceano,

atravessado duas vezes

com a esperança da primeira,

repleto de desilusão da segunda,

ficou a melhor parte da vida.

Sentado na rocha firme

encravada numa praia do Sul,

do outro lado a África da minha juventude,

e na mente os passos

de um passado sempre presente.

12
Fev20

Pitangueira


canetadapoesia

 

 

De tão bela, me saciava os olhos,

só de vê-la crescer me sentia já feliz.

Mas a mão humana não descansa,

e quando se trata de destruir,

então, ganha uma velocidade espantosa.

E destruiu, de forma patética, quase inacreditável,

mas destruiu a força de uma vida emergente,

plena de força e pulmões abertos ao mundo.

Deitou pela janela escancarada a cera quente da depilação,

que se foi depositar exactamente no exemplar mais raro,

aquele em que depositava mais carinho.

Matou-ma, por asfixia.

Não sabia o que para mim representava,

nem nunca em tal ouvira falar,

assassinou-a, não friamente, mas de forma fervente.

Triste fiquei por, nem boca a boca a conseguir ressuscitar.

Estou muito triste com os humanos.

Mataram a minha pitangueira.

11
Fev20

Insónia (2012)


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Agora não pode dormir,

não consegue fechar os olhos e ter um sono reparador,

está acompanhada e não queria,

por fantasmas,

pesadelos e fantasias que não consegue separar,

e o alvo é sempre o mesmo,

o homem.

Que se ganha e que se perde,

que lhe instila fantasias e se torna o seu pesadelo,

que lhe aquece a cama e lá lhe coloca uma pedra de gelo,

que a humilha dolorosamente e também a cumula de carinhos,

o homem.

Que a sacia e com ela se sacia,

esse homem sem o qual não consegue dormir.

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