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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

09
Fev20

De onde venho (2012)


canetadapoesia

 

 

De onde venho nem imaginas,

se te contasse não acreditavas,

e, no entanto, é a pura verdade.

Venho da terra do vento morno

nos verões intermináveis.

Venho da terra do mar azul,

verde, esmeralda e outras cores mais.

Venho da terra do mel

das frutas exóticas

que nas árvores selvagens resplandecem.

Venho da terra de terra vermelha

em que a chuva quando cai

esfumaça a nossos olhos.

Venho da terra da liberdade

que assim me criou desde menino

e como sempre a conheci.

Venho da terra da felicidade

em que cada esquina era um prazer

e em cada uma havia um amigo.

Venho da terra que conheci

e que para mim era única

e nada mais queria conhecer.

Venho da terra que era a minha

e onde agora me obrigam a ser estrangeiro.

08
Fev20

Na loucura das tuas loucuras (2011)


canetadapoesia

 

 

É assim que te quero, viva,

na loucura das tuas loucuras

e que venhas como estás,

nua das vestes mundanas,

nua da alma grande que te habita,

vem nua, e despe-me

com esses olhos açambarcadores,

com essas mãos ávidas do que esperas encontrar,

vem assim mesmo,

sem máscaras ou outras coisas

que te escondam o rosto,

que te cubram o corpo,

vem e enlouquece-me,

que eu farei o mesmo,

e dessa loucura,

talvez venha a sanidade ao mundo.

07
Fev20

Estrelas absorventes (2011)


canetadapoesia

 

 

Olho o céu e vejo estrelas,

longínquas, brilhantes e sedutoras,

e nos momentos de clarividência

reparo que têm uma missão importante,

são aglutinadoras de sonhos.

Olham-nos do alto da sua distância,

distraem-nos com seu brilho intenso,

piscam-nos os inúmeros olhinhos, intensamente,

e escutam os nossos sonhos,

absorvem os nossos pensamentos,

sobretudo, acolhem os sonhos que,

pela vida fora, nos assaltam

os sonhos sonhados e não realizados,

os sonhos do sonho de ser humano e sonhar.

06
Fev20

O peso (2011)


canetadapoesia

 

 

Sinto-o no corpo,

empurra-me para o chão,

arrasta-me na lama da vida,

viro-me e reviro-me,

não consigo a separação

e aperta-me o coração.

 

Tento em vão libertar-me

desta tensão que me causa dor,

uma sensação de incapacidade,

porque não liberto a mente

para pensamentos mais elevados.

05
Fev20

E se um dia… (2011)


canetadapoesia

 

 

E se um dia acontecer, olhar o céu e ver estrelas,

senti-las tão próximas,

que só o olhar nos acelera o coração.

 

E se um dia acontecer, esticar uma mão para o céu,

sentir que a ponta dos dedos,

tocam a superfície da lua e,

sentem o enrugado das suas montanhas.

 

E se um dia acontecer, sentir a alma cheia de luz,

tão intensa que não saiba justificar,

um coração tão grande que não me caiba no peito.

 

Se um dia acontecer,

saberei que sou uma pessoa com sorte,

não que me saia a lotaria, mas porque sou feliz.

Já vi as estrelas e senti a lua,

não me saiu a lotaria, mas sou feliz.

04
Fev20

Todos deixaram marca (2011)


canetadapoesia

 

 

De todos os que por mim passaram

nada tenho a comentar de negativo,

todos deixaram marca.

Se uns eram mais assertivos, irrequietos ou distraídos,

outros havia que mantinham uma atenção,

aterrorizadora para mim.

Não podia falhar, não podia enganar-me,

e quantas vezes me aconteceu.

Quisera eu que a todos eles

pudesse ter passado alguma coisa do que ensinava,

e acredito piamente,

que nunca foi tanto como com eles aprendi.

Na sala só havia alunos,

todos aprendiam alguma coisa com uns e com outros,

eu sempre fui privilegiado, reconheço,

por ter lidado com mentes tão generosas,

abertas, curiosas e interessadas,

jovens ou menos jovens, todos alunos,

e em todos encontrei parte do conhecimento

que eles próprios me passaram

e reconhecido lhes agradeço.

03
Fev20

Ofuscação (2011)


canetadapoesia

 

 

E assim,

julgando ser o único,

que não mudava,

que não prestava,

face aos actuais padrões,

ainda mantinha princípios,

que para nada já contavam,

deixei-me desvanecer nesta dúvida,

que de existencial nada tinha,

mas que significava a nova existência.

Depois, conheci outros,

com os mesmos sintomas,

sofrendo com os mesmos padrões,

concluí que não estava só.

O complexo universo onde nos movemos,

tem estrelas em ascensão,

que para melhor brilharem,

têm de ofuscar as existentes.

02
Fev20

Sumidades (2011)


canetadapoesia

 

 

Este é um pequeno País,

mas tão grande que me espanta,

temos o maior futebolista do mundo,

também temos o maior treinador de futebol,

já tivemos um presidente da assembleia geral da ONU,

tivemos um presidente da Comissão Europeia,

tivemos um comissário para os refugiados,

temos um presidente da ONU,

temos novecentos anos de história,

e não é pouca coisa para um cidadão se sentir orgulhoso.

Mas então porque é que eu cidadão,

que nem imagino aproximar-me de tanta sumidade,

a única coisa que tenho é fome?

01
Fev20

Todos diferentes e todos iguais (2011)


canetadapoesia

 

 

A festa decorria normalmente,

as meninas saltavam e dançavam, cada uma para seu lado,

que raras eram as que acertavam,

nos graciosos movimentos da professora.

A meu lado um casal,

também eles com uma menina na dança,

ela atenta à filha e aos seus movimentos,

ele atento ao filho de colo e às brincadeiras com ele.

Não evitei o meu curioso olhar, disparei-o na sua direcção e,

para dentro de mim cogitei, somos na verdade todos iguais.

Aquele casal, na sua diferença,

ela muito clara, quase nórdica,

ele decididamente não escondendo a sua negritude,

as crianças, nem muito claras nem muito escuras,

estavam ali pelo meio naquela cor de futuro,

e o carinho que cada um proporcionava aos rebentos,

era digno de emocionar o mais empedernido,

somos na verdade diferentes, mas todos iguais.

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