Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

20
Abr20

Traição (2012)


canetadapoesia

 

 

A traição dói!

Maior é a dor quando vem,

sem que se espere,

de quem não o devia fazer.

Na amizade traída,

ferida no seu íntimo,

perdoas e retrais-te,

mas nunca mais a esquecerás.

19
Abr20

Dignidade (2012)


canetadapoesia

 

 

Choras!

Porque te gritaram,

porque a rispidez do mundo

extrai dos humanos

o pior que neles se encontra.

Choras!

E tens razão,

porque o homem perde a noção

da dignidade do ser humano.

18
Abr20

Nuvem (2012)


canetadapoesia

 

 

E assim caminhando,

vejo ao longe a nuvem,

que não tomo por Júpiter,

mas que se desfaz perante mim,

num céu azul e brilhante,

quiçá, desfazendo o futuro,

em destroçados fiapos,

o caminho da esperança.

17
Abr20

Gostos (2012)


canetadapoesia

 

 

Há quem não goste,

quem tenha outros gostos,

outros prazeres,

diferentes formas de gostar,

todas serão boas para cada um que as escolha.

Mas eu agradeço-te meu Deus a forma que me deste,

é para mim a melhor, sem dúvida,

porque gosto do oposto

e me derreto pelo que não é igual a mim,

aprecio o contrário e sinto-o,

abraço, beijo e desfruto com ardor,

e se daí vier amor, tanto melhor.

16
Abr20

Soprar o vento (2012)


canetadapoesia

 

 

Sopro-te vento,

empurro-te para longe,

afasto-te de mim,

para não sentir,

para não cheirar,

para não sofrer.

Que tu, vento,

só me tens trazido más notícias.

15
Abr20

Lágrima silenciosa (2012)


canetadapoesia

 

 

Pode dizer-se com certeza,

que das poucas vezes que me caíram,

de tristeza e não alegres,

duas delas foram sobre ti,

e se da primeira vez não tinhas ainda,

a capacidade para disso te aperceberes,

da segunda abriste os olhinhos e ficaste admirada,

porque afinal o pai também chora.

Chora e verte lágrimas, silenciosas muitas vezes,

sempre que esteja em causa a felicidade de um filho.

14
Abr20

Crianças (2012)


canetadapoesia

 

 

O que a maré, ao retirar-se cansada, por ali deixou,

numa praia enorme e um areal imenso,

não foi só a lagoa que agora ressaltava à nossa vista,

uma grande possa de água salgada,

que o sol inclemente aquecia mais facilmente

e que um pequeno rego ligava ainda ao mar.

O que ali ficou foi vida.

À sua volta, dentro dela, aos saltos e nela deitadas,

as crianças chilreavam a cada pulo dentro dela,

chapinhavam, brincavam com os minúsculos peixinhos,

e os seus risos estendiam-se a toda a praia,

enchiam-nos os ouvidos no sussurro da distância,

e sentíamos que ali, naquela possa,

recriava-se e continuava a vida,

pela água, pelas crianças.

13
Abr20

Era bonito (2012)


canetadapoesia

 

 

Milhares de alunos acotovelavam-se, empurravam-se,

na ânsia de ser os primeiros a entrar nas salas,

querendo ocupar as carteiras de uma escola,

que bem poderia vir a ser a sua,

o exame de admissão aos liceus, após a quarta classe.

E eu entre eles, um no meio de milhares,

mesmo juntinho à porta do hall de entrada,

empurrado, amarfanhado na luxúria da entrada,

pela primeira vez experimentando aquelas carteiras,

de um ensino superior ao que iam deixar,

o sonho de se sentarem nas novas salas de aula.

E de tal forma era a exigência da pressa que,

incauto e ansioso me predispus ao perigo,

logo ali, empurrado pela chusma me senti impelido,

e sem que nada o fizesse supor acabei vítima,

e do enorme vidro da porta, que se estilhaçou ao meu contacto,

tenho a recordação desse ano de,

já não estou bem certo, 1960 ou 1961,

do liceu Salvador Correia de Sá e Benevides,

que jamais será apagada,

de uma marca no joelho, uma cicatriz,

que a vida ali deixou para que me recordasse,

da maravilha que era fazer o exame de admissão aos liceus.

12
Abr20

Estar só (2012)


canetadapoesia

 

 

Poderia até pensar-se que estava só,

mas não estava, não.

Tinha companhia e não era pequena,

desde logo, sentado entre o verde das plantas

com quem diariamente trocava umas palavras,

e depois, o almoço,

requentado de restos da comemoração

do aniversário da princesa primeira da minha vida.

Não, não estava só.

Terminado o repasto já a tarde se alongava

com um café forte, como gosto,

embalado por um licor de amoras silvestres,

que a cortesia de um primo galego gentilmente concedeu

de uma safra caseira, sempre as melhores,

e um puro a rematar,

que, apesar de vir da ilha dos puros,

cai sempre bem como companhia de abstracção.

Contemplando a natureza,

olhando o mundo,

pensando para dentro,

extraindo o que importa do exterior.

Como se pode estar só?

Sintomas de felicidade que o mundo ainda não amputou.

11
Abr20

Crescente (2012)


canetadapoesia

 

 

Foice no ar, em fase crescente,

e iluminas, intimidas, relaxas,

e quantas vezes és o símbolo do amor,

dos pequenos e grandes encantos,

de encontros e desencontros.

Lua clara, visível a olho nú,

desta enorme distância que nos separa

recebo os teus raios apaziguadores

que meus olhos húmidos de sensações,

de prazer e de felicidade,

se abrem a tanto esplendor.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Caneta da Escrita

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub