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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

10
Abr20

A força do querer (2012)


canetadapoesia

 

 

Querer é poder,

dizem-me alguns!

E eu quero e não posso,

e também não quero,

mesmo assim ainda posso.

E essa força do querer

pode simplesmente ser quebrada,

quando deixamos de querer,

e a verdade é que já não quero.

09
Abr20

Arrastam-se (2012)


canetadapoesia

 

 

Como lagartos!

Pintados, com a cor do chão em que se arrastam,

com as caras escurecidas com a graxa das botas

que nos dias de parada lhes brilham nos pés.

Arrastam-se como lagartos.

Sobre os cotovelos,

impulsionados pelos joelhos,

mãos manietadas pelo segurar da mortífera pena

que lhes pesa no corpo,

que lhes pesa na alma,

arrastam-se invisíveis e silenciosos

em direcção ao objectivo detectado.

08
Abr20

O meu espaço (2012)


canetadapoesia

 

 

O meu espaço é pequenino,

só tem nove metros quadrados.

Quisera eu que fosse maior,

mas é o que tenho.

Só que deste espaço, pequenino,

eu vejo o mundo,

não literalmente, mas em pensamento,

através dos sonhos que me assaltam amiúde e

de que me vou alimentando e fazendo engrandecer a alma.

Rodeado de plantas e flores,

algumas tropicais, que aqui também se dão,

sento-me na minha cadeira de braços e olho para cima.

Vejo a lua, as estrelas e, da lua,

quase consigo identificar a primeira pisadela que o homem lhe deu,

está lá, bem marcada, intocada,

sinalizando a presença de quem sonhou,

garantindo que Armstrong foi o primeiro e por isso,

entrou na história dos que o seguirão.

Gosto do meu cantinho,

de onde vejo o mundo e as estrelas,

ainda que o suave fumo do puro que tenho entre dedos me afaste,

por vezes, do seu brilho, a lua lá está olhando para mim

na posição em que melhor a aprecio.

Gosto mesmo deste recanto de onde tudo vejo sem nada ver.

08
Abr20

Apreciar (2012)


canetadapoesia


Porque a poesia acalma e serena-nos a alma.



 



Apreciar (2012)



 



Olho, vejo, aprecio e delicio-me,



delicadamente sorrio,



recebo em troca um belíssimo,



sublime e estonteante sorriso,



a linguagem universal do amor.



 



Luis Filipe Carvalho

07
Abr20

Cheia (2012)


canetadapoesia

 

 

Sobre o ainda azul do céu,

cheia e luminosamente branca,

em perfeita concorrência com o sol cansado

projectado nos cumes montanhosos

atrás dos quais se irá deitar.

Absorves os males do mundo,

nessa incumbência te vais inchando,

transformando em promessas

que as formigas humanas

almejam alcançar nas tuas graças.

És a lua cheia de um Agosto quente,

inferno de chamas,

e que contigo se aquieta.

05
Abr20

Bater de asas (2012)


canetadapoesia

 

 

A clareira tomada e limpa,

o dispositivo de segurança accionado,

montado ao seu redor em alargado círculo.

Ao longe já se ouvia o sincopado bater das suas pás,

contra o céu azul, sobre a terra avermelhada.

Ensurdecedores na aproximação, aterradores quando,

dispostos em “V”, se propunham o ataque,

movimentando fogo grosso das suas entranhas.

Entre prós e contras, sem distinção,

corpos agrupados e gemidos irmanados,

não importava a farda que vestiam, simples baixas da contenda,

manchavam o chão de terra pisado entre o capinzal,

com o vermelho do seu sangue, todo vermelho,

irmãos na desgraça a ser evacuados,

somente homens estilhaçados, atingidos pelo mesmo infortúnio,

balas de um e outro lado, pedaços de chumbo,

que não escolhem fardas, não escolhem credos nem cores.

Homens.

04
Abr20

Fim de festa (2012)


canetadapoesia

 

 

Rufavam os tambores, soavam gaitas de foles,

na missa do meio dia, era a festa da aldeia.

Pela noitinha acendiam-se as luzes,

os carrosséis rodavam, tirinhos nas barracas,

oferecendo presentes diversos aos mais afortunados.

Mais tarde a festa pura e dura,

um conjunto itinerante, um palco que de improvisado pouco tinha,

artistas ensaiados e mais ou menos sincronizados,

que isso pouco importava,

porque a festa rebentava de sons, modernos, dançantes e roqueiros,

era a apoteose que se prolongaria mais umas horas.

E o fim que se anunciava pelo abandono da esplanada festiva,

pelo lento apagar das luzes da ribalta,

despoletava a tristeza e a angústia dos que da festa

fazem modo de vida e com ela ganham o sustento do dia a dia.

Rostos cansados, extenuados pela falta de descanso reparador,

a incerteza escrita nos olhos e gestos lentos do desfazer da festa,

não sabendo o que os espera na próxima aldeia.

Recolhem às roulottes já a madrugada anunciava o novo dia,

umas breves horas para o corpo recuperar.

Depois?

A incerteza!

A certeza de mais sacrifícios e desilusões.

O fim de festa.

03
Abr20

Tu minha mãe


canetadapoesia


Porque hoje, minha mãe, fazes 90 anos e esta tenra idade merece os aplausos do mundo e os meus em especial !



 



Tu minha mãe



 



Que viveste a minha vida,



deixando de viver a tua.



Que sacrificaste tudo,



para que nada me faltasse.



Tu minha mãe,



que jamais esquecerei,



por todo o carinho e amor,



que em mim deixou marca.



Tu minha mãe,



que não podes,



mas eu gostaria que fosses eterna.

02
Abr20

Por onde passas (2012)


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Deixas um rasto,

como um cometa

deixa atrás de si uma cauda luminosa,

tu deixas um aroma no ar,

simples e discreto,

paira para que as narinas dilatadas,

de paixão e fremente desejo,

sintam a mulher que há em ti.

01
Abr20

Montanhas (2012)


canetadapoesia

 

 

À minha volta, montanhas.

para onde quer que olhe,

aglomerados de arvoredo e,

sobressaindo por trás, montanhas,

sempre mais altas, mais esguias,

sempre tentando chegar mais alto.

Levanto mais os olhos,

vejo o mesmo céu que elas tentam alcançar.

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