Terça-feira, 21 de Julho de 2020

Na areia (2013)

 

 

Sinto o calor da terra

que pela areia fina da praia

me atravessa o corpo.

O sol vergasta-me as costas

com os potentes raios expelidos,

 e eu aqueço, sonolento,

ao som difuso do ambiente.

Na praia do relaxe, do descanso,

na praia do desassossego.


publicado por canetadapoesia às 22:50
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2020

Destruição (2013)

 

 

Na imaculada folha de papel,

de árvores abatidas construído,

verto a tinta da caneta invasora,

que em minhas mãos,

transformo num instrumento de criação

provinda da minha imaginação.

Nestas mãos que concertei também,

os instintos destruidores

desta floresta que me dá prazer.


publicado por canetadapoesia às 22:35
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2020

Escaldante (2013)

 

 

A ardente bola de fogo,

difusa no dourado céu azul,

começou a definir-se claramente,

e quanto mais descia das alturas,

mais nítida se tornava.

Transformou-se num confuso novelo,

um indistinto emaranhado,

de raios de fogo ardente,

ao mergulhar no mundo se findou.

Apagou-se no horizonte,

mergulhou-me na noite.


publicado por canetadapoesia às 23:51
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2020

Indiferença (2013)

 

 

Não ligava ao universo que a rodeava,

indiferente ao mundo em que se encontrava,

nadava nas suas infantis brincadeiras.

Falava sozinha,

julgava eu,

mas falava,

com um virtual amigo que,

supostamente,

a acompanhava na brincadeira.

A criança desfilava a sua inocência,

pela indiferença que vertia sobre os humanos pecadores.

Uma criança,

o símbolo da inocência.


publicado por canetadapoesia às 23:13
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Acredito (2013)

 

 

Acredito que sou livre de falar,

então falarei,

porque se não quiserem ouvir-me,

se não quiserem escutar os meus gritos,

têm de tapar os ouvidos,

caso contrário ouvirão o que tenho para dizer

e é muito o que me apetece gritar.

Tenho a língua presa de palavras que nem consigo exprimir,

mas falarei,

porque o meu peito se enche delas e se não as trago para fora

corro o risco de explodir, mas falarei.

Porque me sinto livre de o fazer

e sempre que o fizer,

sempre que expulsar de mim as palavras presas,

estarei a sentir-me mais livre,

sendo livre como me sinto,

nada me impede de falar.


publicado por canetadapoesia às 00:14
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2020

Espantoso (2013)

 

 

O cão parou de repente,

levantou a enorme cabeçorra,

olhou a lua e emitiu um som intraduzível,

e eu, parado, espantado com a reacção,

olhei também.

No fundo da rua lá estava,

enorme,

redonda e brilhante como nunca,

e tão próxima que quase lhe chegava com as mãos.

Uma lua verdadeiramente espantosa,

que me alterou o ânimo,

que me deu novo alento,

que me mostrou uma nova perspectiva da vida,

deu-me o sinal da esperança perdida,

deu-me a benesse de uma noite tranquila.

O olhar da lua sobre nós.


publicado por canetadapoesia às 21:23
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Domingo, 12 de Julho de 2020

O futuro e o passado (2013)

 

 

No monumento aos descobrimentos,

encastrado no chão,

está um mapa do mundo.

Já aqui me surpreendo.

Foi oferta da África do Sul,

pela passagem do Cabo pelos portugueses.

Admirada pelos turistas que nos visitam,

despendem alguns minutos apreciando-a, comparando,

a pequenez de Portugal com tamanha gesta pelo mundo.

Ao contrário dos ditos nacionais,

que passam por ela sem o respeito que lhes devia merecer,

que a pisam, vandalizam e ignoram.

Que povo é este que teima em ignorar os seus maiores,

que destrata as gentes que ao mar se fizeram

para que Portugal fosse grande nesta epopeia?

Que futuro para um país que deita por terra,

que esquece e até espezinha a sua história?

Boa ou má, que havia de tudo, é a história de Portugal.

E que futuro nos preocupa se se esquece o passado?


publicado por canetadapoesia às 20:55
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Sábado, 11 de Julho de 2020

Pedalando (2013)

 

 

Pela poeirenta estrada,

entre rasteiros arbustos e árvores de grande porte,

pedalava lentamente,

nunca fora de grandes corridas,

mas gostava de apreciar o que lhe passava pelos olhos,

e esta paisagem circundava-o abundantemente,

enchia-lhe o peito de ar puro

e ele pedalava entre ela,

sem correrias, sem stress,

pedalava devagar,

mas pedalava muitos quilómetros,

só para alegrar a alma.


publicado por canetadapoesia às 20:39
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

Pelos caminhos (2013)

 

 

Pelos caminhos andámos

distantes um do outro,

mas ao longe, a perder de vista,

havia um cruzamento e aí nos encontrámos.

Pela bifurcação mais próxima nos desviámos,

criámos um novo caminho,

um caminho para os dois.


publicado por canetadapoesia às 21:30
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2020

Apostador de futuros (2013)

 

 

À minha volta fui encontrando,

em cada novo dia,

em cada nova proposta,

uma trocista e malévola curiosidade,

uma silenciosa oposição.

Que era eu?

Que, relativamente bem pago,

não me cansava de rabiscar e propor,

sim, propor,

coisas novas,

mudanças nas mais antigas,

inovações, como soe dizer-se.

Pois não sou nada mais que um inocente visionário,

não serei nunca,

ainda que soçobrando pelo caminho,

nada mais que um apostador de futuros.


publicado por canetadapoesia às 21:31
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