Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020

Rios da vida (2013)

 

 

Não se apagavam na lonjura dos dias passados,

tudo aquilo que recordava,

os bons e os maus momentos.

Não sabia,

nem conseguia quantificá-los,

tantos dias bons, tantos dias maus,

achava mesmo que os maus estavam já a ganhar aos bons.

Deixara-se ir pelos rios da vida,

levado para longe das suas raízes,

deixou-se ir,

atracando num porto nunca imaginado,

mas era agora o seu porto de abrigo,

por enquanto,

até embarcar na viagem que o levaria a outro estado,

um mundo mais justo e suportável.


publicado por canetadapoesia às 23:14
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2020

Um ponto no universo (2013)

 

 

Era um ponto no universo,

pensava,

deste universo repleto de pontos e estrelas,

mas ele era só um ponto,

dos mais pequeninos,

daqueles em que ninguém repara e em que,

nunca se dá conta que existem,

um ponto no universo.

Limitava-se a existir,

por enquanto,

sabe Deus quantas vezes desejou ir-se embora,

para o tal universo de que fazia parte como ponto,

quem sabe,

englobar-se nesse mesmo mundo,

tornar-se uma estrela brilhante,

maior que um simples ponto.

Sonhava que fosse possível observá-lo da terra e,

lá do alto, ouvir, todo vaidoso, os comentários,

“que linda estrela”,

“que brilho tão intenso”,

piscava do alto todo inchado.

Uma brilhante e longínqua estrela,

tão longe estaria que nada do que aqui se passasse o atingiria,

era o seu sonho,

vir a ser uma estrela brilhante,

longe da terra que tanto o maltrata.


publicado por canetadapoesia às 20:43
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020

Adormecer (2013)

 

 

Tentou adormecer,

rodou na cama, virou-se várias vezes,

não conseguia pregar olho.

Levantou-se, foi até ao escritório,

percorreu a estante repleta de livros,

escolheu um, leitura leve,

pensava que lhe traria o sono,

puro engano, não aparecia,

o desespero acentuava-se.

Chegavam os primeiros fiapos de luz

de uma madrugada que se sentia morna,

com eles veio o torpor da sonolência.

Fechou os olhos e sonhou.


publicado por canetadapoesia às 23:15
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Domingo, 27 de Setembro de 2020

Rugas (2013)

 

 

Enrolada no roupão olhou-se ao espelho,

verificou que aquela pequena ruga

que começara a despontar,

mais parecia um pé de avestruz.

Desligou-se da imagem

que só um espelho antipático devolveria

atrevendo-se a mostrar-lhe que a idade,

não se comprazendo com a eternidade,

começava a aparecer-lhe,

exactamente pelas pequenas rugas na face.

Pensou para si, que não, não se ia esconder,

afinal e apesar delas,

quanta beleza poderiam contar.


publicado por canetadapoesia às 20:56
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Sábado, 26 de Setembro de 2020

Noites enluaradas (2013)

 

 

Nas noites enluaradas,

quando as estrelas a visitavam,

punha-se a mirá-las.

Apreciava os seus contornos,

a luz que emitiam,

o brilho que davam ao céu.

Punha-se a sonhar.

Imaginava vezes sem conta

que aventuras teria,

se as conseguisse alcançar,

ainda que por breves momentos.

Tê-las à mão,

acariciá-las,

aconchegar-se-lhes,

na medida dos seus sonhos.


publicado por canetadapoesia às 22:11
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

Universo (2013)

 

 

Olho para lá,

muito para além do universo,

passo as estrelas e os planetas,

acontece-me

sempre que me sinto só,

sempre que estou longe,

olho para além de mim próprio,

deixo de ver o mundo.

De onde estou,

olho para ELE,

sinto no coração o sorriso da bondade

de quem gostaria de tirar os pecados ao mundo.

Sinto-me acompanhado.


publicado por canetadapoesia às 20:38
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020

Vampiragem (2013)

 

 

Chamaste-me e eu aproximei-me,

sem receios, sem medos,

afinal habituamo-nos.

Escolheste o braço

onde a veia era mais saliente,

espetaste lenta e pausadamente a agulha,

senti-a entrar na pele, perfurar a veia,

dos vários depósitos retirei a única conclusão,

de que afinal o líquido que retiraste,

era vermelho, escuro, grosso, pastoso,

mas vermelho, nunca foi e nunca será azul,

o meu sangue é vermelho e assim continuará.


publicado por canetadapoesia às 22:18
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020

Inquieto (2013)

 

 

É tarde, quero dormir,

a noite segue o seu caminho,

procuro segui-la e quero dormir,

mas não consigo.

A mesma noite que me propõe o sono reparador,

retira-me a capacidade de descansar,

levanto-me de tempos a tempos,

para tentar dormir de seguida,

ainda que seja de pé, mas nada.

A noite não é minha amiga,

castiga-me por ser tardio no dormir,

e quando o tento, acorda-me.

É tarde, quero dormir,

olho as estrelas, desenho a lua num céu escurecido,

mas nem elas me ajudam, não consigo,

mas vou tentar de novo.


publicado por canetadapoesia às 20:45
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2020

Na corte (2013)

 

 

Vivias na sumptuosa corte,

escolheste o rei coroado,

não te admires, portanto,

se o escravo te esqueceu.


publicado por canetadapoesia às 20:58
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

Conversas cruzadas (2013)

 

 

Pela esplanada repleta,

caracoleando ao sol de quase inverno,

cruzam-se conversas,

trocam-se impressões,

põe-se em dia a conversa,

que os dias de chuva atrasam.

Conversas cruzadas

enchem-nos os ouvidos,

esvaziam-nos o cérebro,

do seu conteúdo nada nos fica

no olhar ausente que as ignora.


publicado por canetadapoesia às 23:04
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