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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

10
Set20

Esvoaçando (2013)


canetadapoesia

 

 

Frente à janela esvoaça,

saltita de ramo em ramo,

desce por vezes ao chão,

procura alimento.

Debica aqui e ali,

saltita de novo,

regressa aos ramos,

esvoaçando para um e outro lado.

O melro esvoaçante e gordo,

como só os melros bem tratados podem ser,

leva o dia neste esvoaçar e,

de debico em debico,

acaba por se alimentar.

09
Set20

Do dia em que nasceste (2016-09-09)


canetadapoesia

Porque hoje é o teu dia.

 

Ainda assim vingaste,

sobreviveste a um nascimento que,

não sendo problemático em termos humanos e biológicos,

foi-o na medida em que os homens,

esses eternos predadores do mundo,

da raça humana e de tudo o que os rodeia,

freneticamente o impuseram.

Era noite e o céu clareava

de tracejantes estrelas mortíferas,

que a humanidade na sua douta ignorância,

criara para espalhar a morte e o terror,

mas tu estavas viva e nascias assim,

sózinha numa imensa casa de saúde sem assistência,

feliz por vir a um mundo,

repleto de tristeza e injustiças.

Quinze dias depois te depositei,

quase numa caixa de sapatos,

numa nave que voava e te levaria para longe,

para a segurança que a tua insipiente vida exigia.

Deixaste o teu País para outro que viria a ser o teu futuro,

cresceste e mulher te fizeste,

dançaste para a vida que não te facilitou a existência,

mas te fortaleceu o espírito e a inteligência e,

sobretudo, alargou-te a alma.

Hoje te agradeço por tudo isto que passaste,

por seres a filha que qualquer pai desejaria ter,

e eu tive-te e desejo que o mundo que te foi agreste,

te preste o tributo que mereces,

ainda que não o procures.

Com um beijo que a eternidade

transformará em saudade,

aqui ficam, em palavras, os votos de um pai,

que sempre te adorará por seres quem és.

09
Set20

Luz da vida (2013)


canetadapoesia

 

 

Que luz é essa que me acorda,

numa sensação de paz e bem-estar.

Uma luz baça e envolvente,

não uma luz vulgar,

não uma luz qualquer,

mas a luz da alma,

a luz que nos indica o caminho,

a que nos dá a direcção,

a luz da vida.

08
Set20

Hecatombe (2013)


canetadapoesia

 

 

A hecatombe não desarmava,

encheu estradas,

tapou buracos,

sem convite nenhum,

entrou casa dentro.

Derrubou móveis,

espalhou terra,

e sem pudor,

encharcou livros.

07
Set20

Encheste-me a cama (2013)


canetadapoesia

 

 

Entraste-me no quarto

e desde logo tomaste conta de tudo,

assenhoreaste-te do espaço e

do meu leito fizeste o teu,

alongaste-te sobre ele de mansinho,

chegaste pelos pés da cama e foste subindo,

quando no quarto entrei os olhos abri de espanto.

Tanta beleza só para mim,

toda ela sobre a minha cama

esperando que me deleitasse com tamanha oferta.

Da escuridão presente logo fizeste reluzente brilho,

deitei-me contigo sentindo o frémito de sensações renovadas,

abracei-te enrolando nesse abraço todo o prazer do mundo.

Adormeci envolto pelo teu brilho e beleza intensos,

tive uma excelente noite de luar.

06
Set20

Hoje só quero silêncio (2020-09-05)


canetadapoesia

 

 

Hoje não quero ruídos à minha volta,

quero envolver-me no silêncio da lembrança

que se acerca de um coração

espantado, incrédulo mesmo.

Como se de repente, na terra,

caísse um meteorito devastando tudo ao seu redor,

assim e sinto, derreado de espanto,

incrédulo com a notícia,

estonteado com o efeito de perder,

perder um ser humano,

perder uma pessoa especial,

perder uma alma extraordinária!

Hoje eu só quero silêncio !

Nele me vou refugiar para que o cérebro

funcione em comunhão com as memórias guardadas

e me traga as imagens que jamais esquecerei.

Tu eras mais novo e brincávamos à bola,

Ensinaste o teu sobrinho,

que prefiro guardar como o preferido

nas lides do ténis e de outras coisas mais,

eras o tio preferido sem dúvida,

para mim eras o cunhado que conheci

desde jovenzinho e jogávamos à bola no quintal,

sempre mantivemos alguma cumplicidade,

serás sempre o meu inesquecível cunhado.

Que o mundo que te foi pesado e agreste,

te deixe agora em paz,

consolado pelos anjos que te acompanharão,

por mim, jamais serás esquecido.

05
Set20

Olhar (2013)


canetadapoesia

 

 

E, no entanto, olho,

esforço a vista,

alongo o olhar

e nada vejo.

Penso que estes olhos

já não são o que eram,

já não vêm com vontade de futuro.

04
Set20

Quarto de hotel (2013)


canetadapoesia

 

 

O quarto silencioso de um hotel na cidade

depressa se transformou no campo da batalha do amor.

Eram desejos contidos,

reprimidos pelas convenções do homem,

soltos pela imaginação do momento,

ruidosos pelo somar de prazeres.

Ali, no recato de um quarto de hotel,

longe da vista censória das convenções,

pleno de amores e desejos incontáveis,

tudo era possível e tudo foi permitido.

02
Set20

Elegância (2013)


canetadapoesia

 

 

Passaste por mim no passeio,

arrastaste contigo o meu olhar,

sem lascívia, sem malícia.

Perfumaste a rua com o aroma,

que na tua pele trazes vestido

e deixaste atónitas minhas narinas que,

não criando mais desejos,

me limpou a alma

com a beleza do teu corpo,

com a elegância do teu andar.

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