Sábado, 31 de Outubro de 2020

Oceano (2013)

 

 

És grande, enorme mesmo,

e azul, escuro ou mais claro,

dependendo do teu humor,

dele também te vêm as impressionantes fúrias

que te acometem de quando em vez.

Quando sereno e calmo te espalhas

pelo imenso espelho que do espaço te admiram,

banhas as costas dos mundos que unes

e acaricias praias de gentes,

que de tão dispersas,

de tantas diferenças,

juntas como uma só espécie

que em ti se comunicam

e em ti se sentem unidas,

seja qual for o continente em que se encontrem.


publicado por canetadapoesia às 22:05
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

Caminhos (2013)

 

 

Nas tuas areias quentes,

nas tuas águas cálidas,

deixei os mornos sonhos da infância.

Pisando o vermelho sangue de tuas acácias,

calcorreei os passeios de fantasias,

que minha alma foi criando.

Pelos caminhos que a vida traçou,

percorrendo as auto-estradas do desespero,

atolei-me nas picadas de uma terra,

que de vermelha nada tinha.

Não cheirava à chuva acabada de cair,

era só terra, nada mais que terra,

lama que nos entrava os movimentos,

poeira que o vento há-de soprar.


publicado por canetadapoesia às 23:38
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2020

Confisco (2013)

 

 

Quando de relance te olhei,

o espanto invadiu-me,

dispersei-me na elegância do vestir,

e, na mente desordenada

logo surgiu o pensamento obsceno.

 

Confisquei os olhos para nada mais ver,

mas já te via despir o longo casaco de pele,

de arminho, marta ou lontra, tanto me fazia,

mas a despi-lo é que eu te imaginava.

 

Por baixo, ao abri-lo, nada,

nem lãs, nem cetins ou outro trapo qualquer,

só pele, a tua pele clara e sedosa,

a pele humana de mulher

por onde eu, estonteado,

faria as delícias do meu delírio,

e nela caminharia até ao paraíso.


publicado por canetadapoesia às 22:42
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Bruto e fantástico (2013)

 

 

Definir a natureza como bruta,

quando se cansa de ser maltratada,

é reduzir a nada tudo o que faz dela fantástica.

Mas ela também se cansa,

e responde com a brutalidade,

que dela faz natureza,

enche o peito e sopra,

balbucia sons tão audíveis,

que se tornam inaudíveis,

e vomita sobre a terra,

toda a energia contida.

E o homem queixa-se,

que ela estraga, estropia, destrói,

o trabalho de uma vida, talvez.

No entanto ninguém quer saber,

ninguém se preocupa, ninguém contabiliza,

os estragos que à natureza se fazem.


publicado por canetadapoesia às 00:41
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2020

Abre-te para mim (2013)

 

 

Espero por ti,

vem e abre-te para mim,

deposita-me o teu sorriso,

se possível,

rasga mesmo uma gargalhada.

Vem abre-te para mim,

que te espero com o sorriso da ansiedade.


publicado por canetadapoesia às 21:42
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020

Como seria sem elas? (2013)

 

 

Na vida essenciais porque,

os olhos tudo vêm e que sentem também,

mas no amor, que da mesma forma os requisita,

são sem dúvida suplantados pelas mãos.

 

Milagrosas que são, digo eu, que gosto de as usar,

sentem, vêem até sem ver e no escuro dos olhos fechados,

onde só a alma perscruta os corpos,

são o guia e a visão de quem sente,

que o amor também se faz com mãos.

 

E nas pupilas nodosas dos seus calos,

quantas vezes se aveludam em peles sensíveis,

sentindo o pulsar de corações acelerados e,

no seu roçar, pela seda de peles cuidadas,

transformam mundos inertes,

em vulcões de prazeres inesgotáveis.


publicado por canetadapoesia às 22:19
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Domingo, 25 de Outubro de 2020

Na memória a liberdade (2013)

 

 

Rebelde por natureza e criação,

a vida feita pelos matos de verde pintados,

saboreou a liberdade de ser e estar,

só a natureza o seduzia,

da imensidão de que dispunha

guardou na memória os espaços mais pequenos,

fugazes momentos de felicidade.

Passaram-se os anos, juntou pedaço a pedaço,

de todos os momentos que recordava com carinho,

desenhou um mapa onde marcou os pontos,

pequeno que era o seu tamanho,

mas todo um mundo de vida ali espelhado,

vivida com a intensidade dos grandes espaços

abertos à sua imaginação de liberdade,

enclausurou-se depois, em estreito corredor,

viveu espartilhado pela dor da saudade,

mas na lembrança inapagável,

residia todo o seu universo.


publicado por canetadapoesia às 23:03
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Sábado, 24 de Outubro de 2020

O menino (2013)

 

 

Os calções largos o bastante,

propositados para suportar o calor,

nos pés, quase nus, resistiam os restos de pneu,

reciclado agora em puro calçado,

sandálias de tiras e borracha de pneu

contra os pés descalços e contra o desperdício.

Nas mãos, nada mais que a gancheta,

o instrumento necessário e essencial

que faria rodar o arco com que,

nos seus sonhos de menino,

iria para além de todos os limites,

correria pelo mundo que conhecia e,

acabando este num imaginário limite,

logo descobriria o próximo.

O menino e os seus sonhos,

eram todo um universo e estava ali mesmo,

no seu arco e gancheta.


publicado por canetadapoesia às 22:57
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2020

A senhora é bonita (2013)

 

 

Foge-lhe a voz para a verdade audível,

ele que queria só pensar,

sem exteriorizar,

mas não consegue,

e agora?

Pensa, e se ela se aborrece?

Surpresa!

Abre-lhe um sorriso,

responde-lhe baixinho,

e ainda não viu nada!

Não viu, mas ouviu boquiaberto.

Afinal, uma palavra gentil,

inundou um coração,

engrandeceu o ego oposto,

iluminou uma alma desgarrada,

e ao resto, só o tempo responderá.


publicado por canetadapoesia às 21:09
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020

Vejo-te em cada esquina (2013)

 

 

Vejo-te em cada esquina,

reconheço-te em cada rosto, povo desgraçado,

pelo vil governo de esclarecidos,

que não correm as esquinas da vida,

que não vivem na sacada dos prédios,

nem se embrulham em jornais e cartões,

em busca do calor que o seu próprio governo lhes vai negando.

Vejo-te em cada esquina,

e reconheço que já são poucas as que restam

para albergar tanto rosto que reconheço,

são faces de povo, de gente, de portugueses,

contorcidas pela agrura do frio,

barrigas estreitas pela fome que as assola,

corpos mirrados das necessidades básicas

não satisfeitas para honrar orçamentos.

Acabem com esta humilhação,

a uma Nação que quer honrar os seus ancestrais

no respeito pelos vindouros.


publicado por canetadapoesia às 22:01
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