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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

21
Out20

Monte de Vénus (2013)


canetadapoesia

 

 

Dedilho-te o corpo,

sem pressionar muito,

só pela sensação,

só para me sentir roçar-te a pele.

Fecho os olhos,

aspiro-te em mim,

encho-me do teu perfume.

Como ave solitária,

vou saltando,

de monte em monte,

e no monte de Vénus,

por fim, me acolho.

20
Out20

Decadência (2013)


canetadapoesia

 

 

Conto as moedas e não sei se chegam

para comprar o pão fresco,

para adquirir o jornal semanal como sempre fiz.

Passo contente pela estrada que a vida me teceu

e reparo na impunidade dos que,

não respeitando ninguém,

se empinam nos reluzentes automóveis

em segunda e terceira fila.

Sorriu de soslaio,

continuo no meu caminho

indiferente às demonstrações de superioridade

que, de tão bacoca, cheira até a bafienta

e no deambular do mundo,

a decadência aproxima-se exponencialmente

à medida em que se enchem de riquezas vãs.

19
Out20

Maresia (2013)


canetadapoesia

 

 

Porque tu és onda

que se revolve cresce e espraia,

eu a maresia que sobe e desce

num contínuo movimento

em que o tempo é esquecido.

Entre o teu revolver

me contornas e envolves

em sucessivas imaginações

dessa tua água salgada,

eu, em espuma me tornarei

na praia de nossas vidas.

Cheiras a maresia,

inalo o aroma que vem de ti

e assim inebriado,

me deixo levar pelo doce vaivém

das ondulações que me deleitam,

onde outras vidas se darão à criação.

18
Out20

Nos livros (2013)


canetadapoesia

 

 

Deitado de barriga para baixo,

abro o livro e folheio as primeiras páginas,

entusiasmo-me com as primeiras letras

e ávido delas embrenho-me na sua compreensão.

Esqueço o mundo que me rodeia,

vivo a aventura da escrita

e transformo-me naquilo que gostaria de ser,

sobretudo feliz,

viver com dignidade,

não ter faltas e muito menos conhecer a fome.

Nos livros, tudo se transfigura,

nos livros não matamos a fome

que nos comprime o estômago,

mas alimentamos a alma

que nos transporta para mundos melhores.

17
Out20

Dois relógios (2013)


canetadapoesia

 

 

Do que falo quando falo de relógios?

Falo da alma,

daquilo que o passado representa

para quem dele quer fazer futuro.

 

Dois relógios é o que tenho,

não por serem como os outros,

marcarem horas, mostrarem calendário,

nada disso me interessa nestas peças,

o importante é a quem pertenceram.

 

Um deles ao meu avô,

grande, com tampa, de bolso e com cordão,

o outro ao meu pai,

mais moderno para a altura,

automático, com calendário,

bastava mover o braço para lhe dar corda,

umas preciosidades.

 

Não porque valham materialmente,

mas porque para a alma não têm preço.

 

São objectos de vida,

de vidas passadas,

de vidas actuais e futuras,

objectos da alma,

são dois relógios com saudade dentro.

16
Out20

Picaste-me


canetadapoesia

 

 

Devia tentar segurar-te de todas as formas,

e todas elas foram infrutíferas.

Devia pegar-te por cima e picaste-me,

segurei-te mais abaixo e voltaste a picar-me.

Devia ter logo percebido, mas demorei algum tempo.

Devia estar habituado com os picos da vida e não estava,

não consigo habituar-me.

Devia saber que é da natureza das coisas

que cada uma tenha a sua própria reacção,

a sua própria defesa.

Devia saber que não somos todos iguais.

Devia saber que alindas as casas, os muros e os jardins.

Devia ter a noção de que afinal eras um cacto.

15
Out20

O primeiro olhar (2010)


canetadapoesia

 

 

Cheguei-me mais perto,

com um ligeiro tremor no coração

e uma névoa no olhar.

Aproximei-me mais,

passei-lhe um dedo na bochecha rosada

pensando que a aspereza desta pele,

castigada pela vida,

a iria incomodar.

Não se queixou.

Aninhou-se ligeiramente,

como quem recebe um carinho.

Parou o mundo à nossa volta,

tudo estava em perfeita harmonia

com o universo que nos rodeava.

14
Out20

Uma ligeira impressão


canetadapoesia

 

 

Muito ligeira, mas uma sensação de baixa de tensão,

nada que não se resolva,

e com um reforço de whiskey,

duplo ou triplo, que interessa,

se daí advém a melhoria da impressão e até,

porque não?

Uma vida que até parece cor de rosa.

Uma desculpa para um bom copo,

e na noite serena sabe melhor

se for bebido olhando as estrelas,

que estão longe, muito longe,

quem dera que as alcançasse

com a mão que tenho livre.

13
Out20

Nos livros (2013)


canetadapoesia

 

 

Deitado de barriga para baixo,

abro o livro e folheio as primeiras páginas,

entusiasmo-me com as primeiras letras,

e ávido delas embrenho-me na sua compreensão.

Esqueço o mundo que me rodeia,

vivo a aventura da escrita,

e transformo-me naquilo que gostaria de ser,

sobretudo feliz,

viver com dignidade,

não ter faltas e muito menos conhecer a fome.

Nos livros, tudo se transfigura,

nos livros não matamos a fome,

que nos comprime o estômago,

mas alimentamos a alma,

que nos transporta para mundos melhores.

12
Out20

Descarga de adrenalina (2013)


canetadapoesia

 

 

Poeta? Serei se assim o acharem,

porque afinal descrevo a vida e outras coisas,

em tons que poderão ser rosa, choque por vezes,

mas sempre com a realidade presente nas palavras.

Escritor? Também o serei, se os simples arabescos,

que em alvas folhas destilo,

atraírem algum interesse, por pequeno que seja.

Pensador? Não tenho dúvida que o sou, como tantos,

ainda que os meus impuros pensamentos não estejam alinhados

com linhas que deles gostam de fazer alarde e política dominante.

Castrado não sou! A minha opinião é minha.

Nada me sai desta atormentada mente que seja objecto de coação

de outras mentes que terão coisas bem mais importantes a resolver,

que lhes toldam a capacidade de raciocínio,

que as impedem de aceitar opiniões alheias, ser democratas,

por isso sou sim, ainda que seja só eu a achá-lo, sou,

poeta, escritor e pensador, acrescento também,

além de outras coisas da alma.

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