Sexta-feira, 20 de Novembro de 2020

Dormir (2013)

 

 

Vou dormir, apagar esta memória,

ainda que seja por breves horas, ou meias horas,

mas fechar os olhos, esquecer o dia,

perder por momentos o sentido dos sentidos,

mergulhar no doce aroma da noite,

adormecer com a suavidade

do lento descer da montanha

e descansar dos pensamentos que nos contraem a mente,

soltar o coração e sonhar, se possível,

com outros sonhos, carregar outras memórias,

e deixar-me ir sem resistir, devagar,

lentamente em direcção aos braços de Morfeu.


publicado por canetadapoesia às 21:27
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2020

Caminho iluminado (2013)

 

 

No teu corpo vi o negro da escuridão intensa

que só a noite mais longa nos oferece,

mas no fundo,

bem no fundo desse negrume,

na profundidade de teu corpo,

brilhavam ainda umas luzinhas,

as estrelas que da noite fazem dia,

e do escuro um caminho iluminado.


publicado por canetadapoesia às 21:52
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2020

De chorar por mais (2013)

 

 

Cortei-o em pedaços pequenos,

queria fazê-lo render ao máximo,

meti o primeiro na boca,

duro, escuro, mesmo negro,

volteei-o entre a língua e os dentes,

começou a demonstrar-se pastoso,

espalhou-se pelo palato,

um amargo doce de fazer vir as lágrimas aos olhos,

e sem lhe dar nenhuma dentadinha,

foi-se derretendo, diluindo entre sorrisos de prazer.

Engorda dirão alguns, pecado dirão outros,

supremo prazer dirá a maioria e,

corroborando desta opinião,

acrescento, o céu na terra,

puro prazer dos sentidos o sentir do chocolate.


publicado por canetadapoesia às 22:33
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2020

No azul do céu (2013)

 

 

Recortas-te na distância que nos separa,

bem definida no azul deste céu que nos cobre,

o teu cinzento escuro, carregado,

ameaça com a certeza de que não tarda está aí,

e vem borrasca pela certa,

daquelas fortes com muita água e vento à mistura,

e nós, aqui por baixo, olhando,

tentando adivinhar o momento da soltura,

o momento em que pesada e cansada abrirás as portas,

desse imenso dique que conténs,

e de lá se soltarão as tormentas

que limparão o céu e a terra

da imundície que nos rodeia.


publicado por canetadapoesia às 22:20
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2020

A pomba estropiada (2013)

 

 

Sobre os ombros dos teus discursos,

pousava a pomba da paz,

esvoaçando, veio de longe,

repleta de esperanças que aí conseguiria,

e a paz que procurava, mal conseguia distingui-la

na altura em que frágil e alquebrada,

sobre teus ombros pousou,

refugiava-se nas palavras doutas que disparavas,

e na multidão ávida de segurança, de paz,

que espera uma palavra sem dor,

uma voz se levanta e grita,

a pomba está toda estropiada.


publicado por canetadapoesia às 22:55
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Domingo, 15 de Novembro de 2020

Água e vento (2013)

 

 

À superfície corriam

ao sabor das águas

correntes que se entrecruzavam,

torciam e embrulhavam folhas e ramos

soltos pela força de um vento que tudo trucidava

à passagem vertiginosa da sua fúria.

As águas infindas, grossas e possantes,

num trajecto irreversível e impiedoso

tudo arrastavam, tudo limpavam,

dessa fúria trituradora renascia agora

um mundo novo e limpo,

recomposto, alterado, modificado,

humanamente habitado.


publicado por canetadapoesia às 21:47
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Sábado, 14 de Novembro de 2020

Ensurdecedor silêncio (2020-11-14)

 

 

Hoje, por obrigação canina,

senti na pele o ensurdecedor silêncio

de uma rua sem vivalma.

Nem uma pessoa para me cruzar no caminho,

nem um automóvel a passar na rua deserta,

de quando em vez,

uma motoreta de mochila arrasava o silêncio

que se abrigava sob nuvens cinzentas e ameaçadoras

de uma chuva cairia a qualquer momento.

No céu embaciado,

nem uma estrela se vislumbrava,

aqui na terra, nesta cidade de Lisboa,

o silêncio absoluto,

só o silêncio me acompanhou no passeio,

e debaixo de uma árvore,

é entrecortado pelo som de uma cigarra,

alheia ao vírus que assola o mundo.


publicado por canetadapoesia às 23:15
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020

Mói a moleirinha

 

 

Não pára, está constante e mói a moleirinha,

é um choro convulsivo há muito guardado,

a prova de que o céu, que é azul e celeste,

também chora, e de que maneira.

Neste caso chora, mas com uma particularidade,

não chora por chorar, nem sequer para irrigar

esta terra que da água necessita para viver,

não, não é por isso que chora,

fá-lo em solidariedade para com os portugueses,

que apreciam o sol, a lua e o céu celeste,

pelas desditas que a comandita impõe,

a tão desgraçado povo, culpado, sim culpado,

de se ter iludido com gente tão palavrosa.

Mentiram e não satisfeitos, continuam a fazê-lo,

e esmagam o seu povo que em má hora neles acreditou.

E o céu chora, por esta gente simples e grandiosa,

que um dia fará surgir no horizonte,

o sol que iluminará esta terra, estes corações.


publicado por canetadapoesia às 23:38
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2020

Enevoada (2013)

 

 

Há muito que não te via e hoje,

hoje apareceste enevoada,

envolta num manto difuso,

uma auréola impenetrável

que reflectia um esbranquiçado

baço e sem o brilho a que me habituaste,

não vinhas vestida com o costumeiro manto

de ouro branco e resplandecente,

não vinhas engalanada com as inúmeras escravas,

que em noites excelentes te acompanham,

não no brilho, que o teu é ímpar,

mas na escuridão da noite a que dão vida,

embelezando o teu próprio brilho

na miríade estrelar com que te cortejam.


publicado por canetadapoesia às 23:19
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2020

Caminhos (2013)

 

 

Que se cruzam,

tornam-se paralelos,

convergem,

de um só se pode falar,

e num repente,

um flash de momento,

retornam a paralelos,

em determinada altura,

a vida que os recebeu,

aponta-lhes uma bifurcação,

divergem,

perdem-se no mundo.


publicado por canetadapoesia às 21:31
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