Terça-feira, 10 de Novembro de 2020

Noite serena (2013)

 

 

E veio a noite serena e calma pôr ordem no caos,

abriu a escuridão do céu e encheu-o de estrelas,

tão brilhantes que quase ofuscaram o brilho da lua,

e juntas,

iluminaram esta terra,

que se encheu do branco que o céu cinzento lhe enviou,

que transformou em água toda a brancura deste gelo inusitado,

que cobriu a terra da humidade necessária à renovação.

Encheu corações de esperança,

que de um desajuste inesperado,

se podem afinal criar outras vidas,

outros caminhos de felicidade e futuro,

bastando para tanto,

vontades,

e muitas estrelas que se juntam e,

com a lua de permeio iluminam a nossa existência.


publicado por canetadapoesia às 21:24
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2020

Quente e frio (2013)

 

 

Então o sol, que despertara mais tarde,

apercebe-se desta anomalia estratégica

que lhe retira a primazia do reinado

sobre a terra que quer quente e que,

sempre manteve envolvida pelos seus acalorados raios.

E atira com força

uns quentes e rápidos laivos do seu poder,

aquecendo o que era frio,

derretendo o que em água se tornará,

ao mesmo tempo que fecunda a terra sedenta

da vida que aí virá, na primavera, entenda-se,

que já não vem longe e se aguarda com ansiedade.


publicado por canetadapoesia às 22:39
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Domingo, 8 de Novembro de 2020

Vinho

 

 

Diligentemente mo serviu,

quase um dedo deitado no fim de um elegante copo.

Tinto, que era o que melhor cabia

nesta refeição de bacalhau à lagareiro.

Delícia!

Como posso ter mau gosto,

se as papilas gustativas me exigem

coisas que só o dinheiro paga e não o tendo,

há que descobrir!

Mas gosto? Isso nem se fala,

percorro os labirintos gustativos,

círculo pelas auto-estradas do bom gosto,

perco-me no mundo da elegância.

Mas o vinho de que falava,

porque me perco na vertigem da conversa,

caiu-me em cheio na língua,

um pequeno enrolar do gosto,

pela boca ansiosa de o testar,

engolida a pequena prova,

que não sou de perder vinhaça,

aspirado o aroma e Uhau!

Na mouche!

Vinho da casa, mas de uma excelente zona,

e assim,

nestas andanças se ganha em conhecimento e esperteza.

É que vinho da casa não é só aquele que,

em alguns locais,

é o vinho de segunda escolha.

Este foi de truz!


publicado por canetadapoesia às 23:35
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Sábado, 7 de Novembro de 2020

Sereias

 

 

Sentado no paredão sobranceiro às águas do rio,

perdido no olhar de quem se perde no marulhar das ondas,

absorto, tão distante e tão perto.

O bater suave das pequenas ondas no molhe

anestesia-me os sentidos, amolece-me o corpo,

o sussurro que sinto penetrar-me na alma

provoca-me um sorriso na face, satisfação.

O sol encandeia-me a visão,

entre mim e a água, ia jurar, que ali passou uma sombra,

uma sereia, julguei, bem sei que é coisa que não existe,

mas na terra onde assento os pés, sim,

sereias há e esta é uma delas,

uma sereia em terra,

só para me agradar os olhos de visão turva.


publicado por canetadapoesia às 23:02
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2020

Coexistência

 

 

Voam gaivotas,

esvoaçam patos,

poisam nos pontões adormecidos

pelo marulhar das águas calmas

sussurrantes em delírio,

coabitam nos mesmos locais,

cruzam-se em voo,

poisam sem se cruzar,

debicam pequenos moluscos

aqui e ali pendurados.

Sem guerras, sem alarmes,

coexistem no mesmo espaço,

as gaivotas cinzentas e brancas,

os patos negros com laivos esverdeados.

Coabitam, coexistem,

sem que as diferenças entre eles,

seja motivo de conflitualidade.


publicado por canetadapoesia às 21:09
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2020

Cacilheiro (2013)

 

 

Imponente, o velho cacilheiro,

aproximava-se de um cais há muito conhecido.

Arribou ao molhe tomando posição,

amarras lançadas ao cais,

acostado e seguro abre os portalós.

A gente desembarca em correria louca,

para chegar nem sei onde,

e o cacilheiro aguarda agora

nova vaga de gentes que entram,

que se acomodam às vistas que ele proporciona,

que partem na dormência que só o rio oferece,

na forma de um velho cacilheiro.

Fecham os olhos e dormitam por um pouco,

ou sonham com outras águas,

mares distantes, sem cacilheiros,

navios de cruzeiro, talvez,

adormecidos pelo leve balançar,

que o manso ondular do rio oferece.


publicado por canetadapoesia às 22:34
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2020

Adrenalina pura (2013)

 

 

Surgiram do horizonte e,

repentinamente volteavam diante de mim,

ao sabor do vento navegavam paralelos

até que um deles, mais afoito e destemido,

desafiando o vento que o açoitava,

se destaca e afasta veloz.

Largou o spy aproveitando o vento de popa,

deu um salto sobre a água,

partiu à desfilada largando o outro e,

na estonteante velocidade

da frágil e pequena embarcação,

desafiou a natureza voando sem medos,

com receios nenhuns galgou as águas do rio,

deixando nos tripulantes o doce sabor da pura adrenalina.


publicado por canetadapoesia às 23:00
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2020

Opacas

 

 

Sinto o peso da noite longa,

escabrosa e densa de escuridão infinda,

e no horizonte as nuvens,

baixas, opacas,

cobrindo todas as esperanças de claridade,

criando uma ausência de luz interminável,

arrastando-nos para o abismo,

porque a vida já pouco se suporta.


publicado por canetadapoesia às 19:38
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020

Rubro (2013)

 

 

Sinto-te correr-me

pelos canais a que chamam veias,

vais grosso e pastoso,

mas quando extravasas os canais

em que a custo te conténs,

sais de rojo, esguichas,

e vens vermelho, rubro,

das raivas que te contiveram encanado,

confinado ao teu ciclo fechado,

o ciclo da vida que manténs.


publicado por canetadapoesia às 21:37
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Domingo, 1 de Novembro de 2020

Chocolate (2013)

 

 

Doce e quente como chocolate,

assim sentia aquela pele,

morena por nascimento,

não por aquecimento do sol.

Passava-lhe as mãos no corpo,

extasiava-se com as ondas,

que seus dedos irrequietos

subiam e desciam sem parar.

Na petulância da satisfação antecipada,

pelo desejo frenético e exponenciado,

antevia paraísos que nem imaginava,

mas que de celestiais,

só tinham a sensação de leveza,

que o corpo demonstrava depois de os atingir.


publicado por canetadapoesia às 23:35
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