Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2020

Frasco de mel (2013)

 

 

Disseste-me frases soltas

cheias de um sentido que me desnorteou,

desmontaste as minhas recusas,

sem rodeios me envolveste,

sem medos me tomaste a vontade.

Eu sem meios de resistência

perante tanta insistência,

recuei um passo, para logo avançar dois,

perdi-me em ti que me controlaste os sentidos,

me levaste ao paraíso e por fim deitaste o frasco,

de onde entornaste o mel, calmo e quieto,

que nele residia sereno e contido.


publicado por canetadapoesia às 22:07
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020

Declaro-me inocente (2013)

 

 

De uma coisa estou certo,

sou inocente,

ainda que as provas apontem para mim,

mesmo que mil testemunhos afirmem o contrário,

declaro-me inocente.

E é verdade que tudo indica que tenha sido eu,

mas na verdade eu nego,

e nego tudo o que já está indiciado,

e mais nego o que puder vir a ser ainda apontado,

porque eu me declaro inocente.

E se outra coisa não possa fazer

ante tamanho volume de provas e testemunhos,

se nenhum álibi me isentar

e possa até acrescentar que a culpa, a existir,

não é minha, mas da sociedade que me rodeia,

mesmo que não aceitem esta pueril desculpa,

ainda assim, não me sinto culpado,

como tal, declaro-me inocente.


publicado por canetadapoesia às 21:05
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2020

Papagaios no ar

 

 

Era uma enchente de cor e habilidade,

todos no ar, volteando por sobre as cabeças,

corpos cuidados, em losango, triangulo, hexágono,

eu sei lá, uma quantidade considerável de figuras geométricas

enchiam aqueles ares, de encontro ao céu azul,

as suas caudas compridas e aprimoradas,

repletas de folhinhos e laçarotes

bailavam ao sabor do vento que lá no alto as acariciava,

nem eram como Ícaro, porque estes voavam mesmo,

nem o sol, com seus raios de fogo, se atrevia a molestá-los.

Cá por baixo, com os pés assentes na terra,

uma longa guita a segurá-los,

dançavam sorrisos nos rostos das crianças,

pequenas sim, mas com o brilho intenso num olhar,

que foi capaz de criar o seu próprio brinquedo,

o seu prazer de criança ali esvoaçante.

Nos adultos, crianças também, um olhar de orgulho,

conseguiram incutir nos rebentos,

o gosto e prazer da descoberta, da aventura,

da força criativa de cada uma daquelas pequenas mentes

ainda em construção, ainda em desenvolvimento,

mas já abertas para o mundo que queriam construir,

pensando por si, fazendo pelas suas próprias mãos.


publicado por canetadapoesia às 22:04
link do post | comentar | favorito (1)
Domingo, 27 de Dezembro de 2020

Papel e caneta (2013)

 

 

Estendia-a à minha frente,

branca, imaculada,

quase uma aparição celestial,

juro que por momentos,

olhando para ela atentamente,

me pareceu descortinar um sorriso

e uma voz se fez ouvir,

eu juro que ouvi,

vem, traz a caneta,

senta-te ao pé de mim,

assim rezava a voz,

e eu sentei-me,

trouxe a caneta, pousei-a a seu lado.

O quadro era espantoso,

uma branca folha, imaculada e virgem,

a seu lado uma caneta, preta e com tinta suficiente

levantou-se em direcção à folha virgem e,

levemente ao princípio,

depois mais arrebatadoramente,

conversaram, trocaram ideias, escreveram coisas,

tornaram-se inseparáveis,

hoje é vê-las enlaçadas por momentos de puro prazer,

as letras, que ao juntarem-se,

criam palavras na folha imaculada.


publicado por canetadapoesia às 23:10
link do post | comentar | favorito
Sábado, 26 de Dezembro de 2020

Por assim dizer (2013)

 

 

Satisfaço-me com pouco

embora tenha gostado e ainda gosto,

não de marcas,

mas de gosto requintado,

é verdade,

dou-me por ter bom gosto,

infelizmente insuficiente,

para as aquisições de que gostaria.

Mesmo assim,

contento-me com pouco,

sou feliz com o que tenho,

em abono da verdade, nada me falta,

mas necessitava de dinheiro,

muito dinheiro,

não para mim,

que me contento com pouco,

mas para tantos que dele necessitam como do pão para a boca.

Precisava de o ter,

em quantidade que me permitisse,

seguir o caminho que Deus me traçou e

ajudar quem precisa,

ele sabe que não falharia,

mas se tiro mais ao pouco que tenho,

acabo a pedir também,

se é que não vai mesmo acontecer.


publicado por canetadapoesia às 23:04
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2020

Por uma fresta (2013)

 

 

Mal fechada, pensei,

entre o sonolento do acordar inesperado,

por uma coisa tão insignificante,

uma fresta, pequenina e quase invisível,

ainda assim entrava a rodos,

enchia-me a cama,

acertava-me nos olhos.

Meio abertos os olhos, viro-me para o local,

nada mais vejo que um ponto de luz,

tão pequeno como intenso e direccionado,

no seu rasto ficava um cone de calor e luz

e ao alargar, chegava-me a todo o corpo,

aconchegava-me o calor por sobre a coberta,

acordava-me invariavelmente à mesma hora,

e eu sabia que o dia era de sol e calor, de verão.


publicado por canetadapoesia às 21:33
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2020

O sol atrevido (2013)

 

 

Olho o sol e sinto o calor,

fecho os olhos e sinto o sonho,

estendo a mão e toco-te,

ao meu lado o teu corpo aquecido,

tenho ciúmes,

porque estou a teu lado,

porque seguro tua mão e te sinto,

mas o teu corpo, esse,

é o sol que o acaricia, atrevido,

não te segura a mão, não te sente,

mas estende os seus raios e,

abraça-te com todo o seu calor,

envolve-te e toma teu corpo por inteiro,

para meu desespero, para inveja minha.


publicado por canetadapoesia às 23:13
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2020

Não era só um barco

 

 

Não, não era só um barco,

com leme, vela grande e genoa,

e quando lançava o spi então,

nem barco era, seria qualquer outra coisa,

uma nave que atravessa o espaço

entre o céu e o mar,

ao sabor do vento que o empurrava

enfunando-lhe as velas de tal forma

que quase de balões podíamos falar,

e ele vogava, navegava sobre as águas,

que lhe ficavam sob o largo bojo.

Não, não era só um barco,

era uma parte de nós, um bocado de sonho,

era o Alforreca II, um veleiro, um barco,

talvez mesmo uma nave que, para além do sol,

também conhecia a lua e namorava o mar

destas águas por onde transportava

ilusões, sonhos e prazeres inolvidáveis,

sempre ao sabor dos ventos e no balanço das ondas.


publicado por canetadapoesia às 21:39
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2020

Encantamento (2013)

 

 

Vem, não receies, levo-te comigo,

vais conhecer meus sonhos,

vais saber como me encanto,

nesta viagem em que me acompanhas,

também vais saber porque te quero,

como companhia, como parceira,

e quem sabe,

num dos intervalos do encantamento,

o transformemos em algo mais.

Mas não receies, porque te levo comigo,

sobretudo,

porque te quero como encantamento,

duradouro, eterno enquanto te encantar.


publicado por canetadapoesia às 23:01
link do post | comentar | favorito
Domingo, 20 de Dezembro de 2020

Um dia…

 

 

Será diferente, um dia,

um daqueles dias em que por sorte ou destino,

as coisas mudem e se transformem,

um dia será, quando não sei,

mas sei, tenho mesmo a certeza,

que um dia vai ser,

e nesse dia, nesse precioso dia,

de sorte ou destino traçado,

vai ser diferente eu sei, tenho a certeza,

que um dia será totalmente diferente.


publicado por canetadapoesia às 22:45
link do post | comentar | favorito (1)

Mais sobre mim


Ver perfil

Seguir perfil

. 25 seguidores

Pesquisar

 

Maio 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Da língua

Sonhos “insonhados” (2014...

Sempre fiel (2014)

Tarde dormente (2014)

Se dúvidas houvesse (2014...

Caminhos de fé (2014)

Acordei-me a pensar em ti...

Águas límpidas (2014)

Se o tempo voltasse atrás...

De mão dada (2013)

Arquivos

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Links

SAPO Blogs

subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub