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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

19
Dez20

Pela idade (2013)


canetadapoesia

 

 

Vamos recuando no tempo

à medida que com a idade avançamos,

e por muito que ele passe, a correr,

recordamos os momentos em que

ele nos proporcionou outros momentos,

de paz, de alegria e amor,

os nossos momentos inesquecíveis que,

mesmo passando ou talvez por isso,

nos trazem ao presente que vivemos,

toda a nossa meninice,

e recordamos a felicidade de então

como se de hoje se tratasse,

tanto que queríamos que fosse hoje

essa felicidade que o tempo levou há tanto tempo.

17
Dez20

Tinha a tua mão (2013)


canetadapoesia

 

 

Pesquiso-me interiormente,

reconheço-me na lonjura do tempo,

era tão pequenino,

e a tua mão grande e forte como só ela,

era o meu muro, o meu castelo de sonhos,

por cuja alta amurada me sentia protegido.

Tão pequeno e tão ciente da tua protecção,

demasiado cedo me largaste a mão,

e esgravatando a vida, “sozinho”,

nunca deixei de recordar, a tua mão na minha.

A mão que eu segurava e onde me amparava,

que me apontava os caminhos da vida,

que solitariamente havia de trilhar.

Na tua mão me encontro, ainda hoje,

sempre que a memória o permite,

sempre que dela necessito.

Na tua mão estava seguro e feliz,

pena faltar-me tão cedo.

16
Dez20

As horas (2013)


canetadapoesia

 

 

Passam com regularidade,

gulosas do tempo que me retiram,

estilhaçam-me os dias e,

em cada minuto a mais,

sessenta segundos me são retirados.

As horas são impessoais,

atravessam o tempo como se nada fosse,

e eu que tanto preciso de tempo

vejo-o esvair-se em horas,

em minutos e segundos,

que me atravessam à velocidade da luz.

15
Dez20

Balança-me o corpo


canetadapoesia

 

 

Resiste o corpo,

insiste a alma,

no ir ou ficar,

balança-me o corpo,

e resisto que o dia está mau.

Mas pela alma passa um vento

de vontade estabelecida,

que vá, que não me arrependerei,

e sem mais resistência possível,

lá vou andando neste dia chuvoso,

e balançando o corpo me ponho ao caminho.

Não me arrependi de nada, da caminhada, do tempo,

foi bom, passar o fim do dia com o poeta Julio Cortázar,

embalado pelo jazz de excelentes músicos,

numa sala emblemática do teatro São Luiz.

14
Dez20

Gotas de frio


canetadapoesia

 

 

Por cada gota caída,

escorregando pelo chapéu

na cabeça enterrado até aos olhos,

um arrepio, de frio, de desconforto.

Mas a obrigação impõe-se,

e se o animal,

se é que assim se pode chamar

à criatura tão nobre que faz esquecer os humanos,

tem necessidades, terão de ser amenizadas.

Que mesmo assim, são poucas, muito poucas,

face a tantas alegrias,

a companhia constante,

para mim e para as minhas princesas,

que não há sacrifício que seja doloroso,

para que ele também sinta e cheire,

a chuva que impiedosa teima em cair.

13
Dez20

Como acordarei (2013)


canetadapoesia

 

 

Deito-me e não sei como acordo,

se num mundo inteligente

que respeita os seres humanos que o habitam,

se num mundo de barbárie, em que o respeito

se esconde por trás do cano das espingardas.

E nem sei se o cheiro da manhã será da chuva

na terra molhada que nos há de tragar,

ou da primavera que bem podia adiantar-se.

Mas temo em cada noite que percorro

ter uma madrugada sem fogo de artifício

e em que os rebentamentos não sejam de festa, mas que,

misturados entre eles e os cheiros que nos afectam o olfacto,

nos relembrem o característico odor,

do que não quereríamos ter mais recordações,

e ao alcance da vista e do nariz,

nos deparemos com o cheiro a napalm.

12
Dez20

Para que nada seja assim (2013)


canetadapoesia

 

 

Sais-me ao caminho,

interpelas-me e estendes a mão

engelhada e tolhida do frio,

nada mais buscas que um pequeno poisar

da minha mão na tua,

da minha alma condoída na alma que

agora se me apresenta despida da vaidade humana.

Tens fome,

e eu não consigo mais que

saciar-ta por momentos,

chora-me o coração porque não consigo

nestes tempos de fraqueza humana e social

chegar mais longe,

acercar-me de ti,

prover para que nada seja assim,

como meus olhos vêm e meu coração sente.

11
Dez20

Que restou do sonho (2013)


canetadapoesia

 

 

Do sonho fizeram bandeira,

pelas ruas correram como rios desenfreados,

soltando pelo caminho a frustração acumulada,

e gritou-se a liberdade alcançada,

mudaram-se atitudes e formas de vida,

da alegria desperta saíram muitos figurões,

que no meio da tantas confusões,

treparam acima das cantigas que a alegria gerou

sentando-se em cadeiras cujo poder,

ao longo de vários anos de alienação,

criou o descrédito que Abril derrubou.

Do sonho que em flor se revelou

resta o desengano, a memória

de um País que se esvai,

em prantos de tristezas sem fim,

e os arautos da liberdade vão perecendo,

sem que se vislumbre neste recanto,

quem lhes venha a suceder.

10
Dez20

Queria dizer-vos algo


canetadapoesia

 

 

Pelo que já vivi, assisti e passei,

queria dizer-vos que nada devem recear,

mas não é verdade, estaria a mentir,

o que devo dizer-vos é que estejam atentos,

que acreditem no inacreditável,

que aceitem as verdades como provadas mentiras,

que desconfiem da sombra que protectora se quer mostrar,

sobretudo, que confiem cegamente,

em vós, no que são, no que se tornaram,

nas pessoas mais importantes do mundo,

para este que queria dizer-vos o contrário,

de tudo o que agora vos digo e,

merecem muito mais do que vos posso desejar.

09
Dez20

Não vou por aí (2013)


canetadapoesia

 

 

Não, não vou por esses caminhos,

sou do contra e sempre serei,

contra ditaduras e outras formas de pressão,

contra xenofobias e outros modos de aniquilamento,

se fiz a guerra?

Sim fiz, mas a minha e não a que queriam que fizesse,

do cano da minha espingarda

não saiu a chama que apagasse o sopro da vida,

essa é sagrada mesmo quando de mim discordam,

mas sou do contra,

não assino por baixo de qualquer lista em que não acredite,

não sigo o rebanho por muitos carneiros que tenha,

mesmo que venham limpinhos e engravatados,

sou do contra.

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