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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

08
Dez20

Desafiadora (2013)


canetadapoesia

 

 

Chegaste como o vento,

de rompante e esbaforida,

apoiada no balcão pediste um café,

relançaste o olhar em redor,

encontraste quem o fizesse também.

Atrevidamente se depositavam olhos curiosos,

sobre os teus,

passavam a limpo a matéria,

aprovada que foste,

logo te correram o corpo libidinosamente,

acariciando-te sobre a roupa simples que vestias,

sentiste o calor desses olhos perscrutantes.

Levantaste os teus e de frente,

sem receios e desafiadora os enfrentaste

e de tal forma insististe que,

atabalhoadamente envergonhados,

se baixaram até ao chão,

e a teus pés se depositaram.

07
Dez20

Faz tempo (2013)


canetadapoesia

 

 

Não te vejo faz tempo,

o tempo que não acalma, nem esquece,

o tempo que já faz sem te ver,

e esse tempo que na lembrança

esquiva e longínqua se faz sentir,

é o tempo da saudade,

da distância que o tempo cria,

da vontade que ele volte atrás.

Mas faz tempo que não te vejo,

também faz tempo, muito tempo,

que te recordo, como se o tempo não tivesse passado,

e assim, parado neste tempo que não se aquieta,

relembro os momentos que o tempo

quer fazer esquecer,

mas a lembrança é mais forte,

que o tempo que se faz memória e saudade.

06
Dez20

Nervoso miudinho (2013)


canetadapoesia

 

 

Era a primeira vez,

estava nervoso, tremiam-me as pernas,

intranquilo e desassossegado,

notaste e acalmaste-me,

tomaste a iniciativa e deixei-me conduzir.

Docemente me puxaste a ti,

junto ao calor de teus seios aquietei,

senti o pulsar de teu coração,

ouvi bater o meu,

relaxado e ansioso me deleitei,

com o sumo do amor que,

de teu corpo ardente se soltou e,

em mim se completou.

05
Dez20

Palavra dada (2013)


canetadapoesia

 

 

Um homem vale o que vale a sua palavra.

Sem palavra não há confiança,

quantas vezes é traída

pela simples traição de palavra.

De quantos enganos somos feitos,

se de tantas palavras dadas,

são tão poucas aquelas que

de um homem saem.

Sinceras e cumpridoras,

honrosas para quem as profere

e se cataloga como homem.

Que nos resta da confiança na palavra?

A esperança, no homem,

que um dia apareça e que a honre,

 que não anseie por quimeras douradas,

empenhando mal a sua palavra.

04
Dez20

Pela memória (2013)


canetadapoesia

 

 

Acumulamos ao longo dos anos,

juntamos peça a peça, fragmentos soltos,

dentro da caixa a que chamamos cérebro,

e guardamos tudo,

os bons e maus momentos,

as alegrias e tristezas,

que pelo longo caminhar

nos vão sempre acompanhando.

Dessa caixa hermética,

saem por vezes uns fiapos

de algumas memórias passadas e,

se estamos de maré cheia,

traduzimo-las em palavras,

letras seguidas sobre papel branco.

Assim, concluímos que a memória,

é o escriba da alma,

dessa alma imortal apesar do corpo em que se aloja.

03
Dez20

Queima de livros (2013)


canetadapoesia

 

 

Assistia impávido e sereno ao decorrer do celulóide,

até ao momento que se tornou crucial,

um aperto no coração,

uma sensação de mal estar,

estava de repente agoniado,

sentia-me num estado de angústia que,

sentia o coração palpitar e saltar dentro do peito.

Uma pilha de livros amontoada no centro de uma praça

apareceu no ecrã e só o facto de ali se encontrar

me criou um sobressalto,

um aperto na garganta,

vi chegar-lhe a tocha que os incendiou,

daquele monte de livros surgiu a chama que os consumiu.

Não deixei de me questionar,

silenciosamente,

como foi possível que isto acontecesse?

Quem poderia aceitar uma acção destas como normal?

Queimar livros?

Ceifar rente a ciência, a literatura, o teatro?

Uma página negra na história que, infelizmente,

se vem multiplicando nos dias de hoje,

ontem os livros, hoje os quadros, amanhã a música.

O sintoma da boçalidade elevada a governo de países.

02
Dez20

Sete momentos (2013)


canetadapoesia

 

 

Ecoaram anunciando o fim da tarde

já o início da noite se fazia presente

e na estridência do seu som

despertaram a insignificância

da pequenez da nossa existência.

De tanta insistência,

sete badaladas sonoras

repicadas no sino da torre mais alta,

sete momentos de introspecção,

sete pensamentos dispersos,

sete razões ecoadas.

bem fundo nos nossos corações.

Eram 19 horas na torre da igreja.

01
Dez20

Marca da estrada (2013)


canetadapoesia

 

 

Ronronava pela estrada fora,

vidros fechados, música no ar,

seguia a estrada marcando no asfalto molhado,

os traços da borracha dos pneus,

indiferente à borrasca

que sobre ele se abatia,

seguia as marcas da estrada.

No seu interior,

transportava almas,

deslocava-as para outras paragens,

sem que, mesmo assim,

as afastasse do seu propósito,

o encontro com o pastor,

a cujo rebanho pertenciam.

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