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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

10
Jan21

A idade das “entas” (2013)


canetadapoesia

 

 

Era mais velho, mas ambicionava-o,

dez anos de diferença,

mas que interessava a idade

se tinha acabado de entrar

na fabulosa idade das “entas”

e o fogo da paixão a consumia.

Não descansou, não desarmou, nem desanimou

com as iniciais recusas e fugas estratégicas,

tinha-o marcado, era ele que ela queria,

nada mais interessava, nenhum outro a atraía,

tanto o cercou que acabou ganhando a batalha.

Teve-o só para si, com surpresa,

pelo que encontrou e desfrutou,

e em delírio repetia-lhe baixinho ao ouvido,

é de mim que precisas, sou eu que te sirvo,

não precisas de mais ninguém, estou aqui.

Tinha acabado de entrar nas “entas”,

e o fogo devorava-lhe o corpo.

09
Jan21

Lista de amigos (2013)


canetadapoesia

 

 

Também queria fazer uma lista de amigos

e nela pôr por ordem crescente,

os nomes de cada um deles,

assim uns atrás dos outros,

este é mais amigo, aquele é o segundo e por aí fora.

Queria disse eu, não me enganei,

queria, mas não consegui,

tremia-me a mão, fugia-me o olhar,

saltava nomes, renumerava a lista,

nada, não saía lista nenhuma, não consegui.

Porque amigo não tem ordem,

amigo não é mais do que, ou menos do que,

amigo é amigo e nada mais que isso,

não pode ser primeiro, segundo ou outro qualquer.

Amigo é isso mesmo, amigo.

Não tenho lista, não consigo fazê-la,

mas tenho amigos, muitos amigos,

e em todos eles eu vejo um só número,

uma única ordem e estão alinhados sim,

mas lado a lado,

numa extensa fila horizontal.

08
Jan21

Roda do teu destino (2013)


canetadapoesia

 

 

Com a roda do teu destino

passaste sobre mim, atropelaste-me,

e eu tolhido por tão frontal embate,

hirto e expectante, deixei.

Deixei que multiplicasses o atropelamento,

ansioso aguardava que de cada um

viesse novamente o desejo de o voltar a repetir,

uma e outra vez, vezes sem conta,

e quando te olhava, nada mais queria,

nada mais buscava que,

a sensação de atropelo que neste corpo ficava,

depois do teu pelo meu passar.

07
Jan21

Amar eu amo (2013)


canetadapoesia

 

 

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser à minha maneira,

sem muros ou barreiras,

que impeçam que me entregue,

por inteiro e sem reservas.

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser um amor louco,

perdido nos arremedos,

varrido pela paixão que,

da loucura extravasa.

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser em êxtase,

absorvidos sob a paixão endoidecida,

de uma única frase, “fazes-me tudo”.

Amar eu amo,

Ah! Mas tem de ser até ao fim.

06
Jan21

Amar o mar (2013)


canetadapoesia

 

Vogo agora sobre as águas calmas,

de um oceano ameno que

há bem pouco se alterava

formando vagas de tamanho assustador.

Tão depressa via o mundo do cimo das suas cristas,

como de imediato me sentia naufragado

pela imensidão tormentosa da cava.

E, no entanto, apesar dos perigos,

o amor por ele é incondicional, atrai-nos,

como uma mulher por quem nos apaixonamos,

encanta-nos e até nos trai,

mas quem resiste a um grande amor?

Eu não, mesmo quando,

quase debaixo de água,

me sinto inebriado pelo amor que lhe tenho,

apesar da minha pequenez,

face às suas demonstrações de cólera.

05
Jan21

De olhos vendados (2013)


canetadapoesia

 

 

Tudo se vê sem nada ver,

de olhos vendados nos dispomos

no chão sentados, de caqui vestidos,

nas mãos um instrumento

de morte, de vida, dependendo.

De olhos vendados e com tempo contado,

montas o puzzle que te apresentam,

ainda que não saibas qual,

tens a certeza do encaixe das peças.

Como se abertos estivessem os olhos,

pegas em cada uma com o cuidado desmesurado

que um grão de areia pode estragar,

e montas, peça a peça, numa sequência atroz,

calma e apressadamente,

cano, culatra, ombreira e carregador.

Está pronta, anuncias na noite escura,

verificam-te a peça, manuseiam-na e gabam-te a destreza.

Está pronta, estás apto, amanhã avanças.

04
Jan21

Em surdina (2013)


canetadapoesia

 

 

Talvez seja melhor assim,

baixinho, em surdina,

para que os sentidos, alerta,

ouçam a palavra

que da vida faz poesia.

Baixinho, para não espantar,

de modo a que a alma sinta

na profundidade o poema.

Em surdina, sentindo o som,

que desperta a alma do poeta,

que expressivo entoa a palavra

que por magia nos atravessa.

Baixinho, em surdina,

para não despertar a inveja

dos que não apreciando,

podem estragar a festa.

Baixinho e em surdina,

a poesia nasce

de palavras contadas,

de vozes serenas e por vezes

rasgadas e exasperadas.

03
Jan21

Sou uma célula (2013)


canetadapoesia

 

 

Bem vistas as coisas, sou muito pouco,

posso até nem ser nada, mas sou,

sou uma célula, que já foi pequenina, mas cresceu,

sou uma célula que gerou outras células,

que descende de outras antanhas,

uma célula de algo que se compõe de várias outras,

que criam um tecido humano,

desenvolvem uma rede social,

aglutinam-se numa Nação.

Sou uma célula que não só cresceu,

como se desenvolveu e expandiu,

uma célula que tem necessidades,

mas que também tem sentimentos,

controversos, talvez, mas sentimentos humanos,

originados por uma célula desenvolvida.

Sou uma célula e sinto-me bem com isso.

02
Jan21

Quando começou?


canetadapoesia

 

 

Não sei quando despoletei esta fúria, foi repentina,

de um momento para o outro,

dispus-me a escrever.

O que sai desta escrita pode nem ser especial,

não ter nada de extraordinário,

mas tem muito do que me vai pelo coração.

Escrevo com a mesma necessidade de comer,

se não o fizer não me sinto bem,

então deito-me à escrita.

Quando me sento frente à folha de papel,

transfiguro-me,

abro a mente,

é então que se dá o fenómeno e me solto,

saem-me as palavras em catadupa,

componho uns textos, mas, sobretudo,

despejo poesia que me sai por todos os poros.

Adoro escrever e nem sequer sou poeta,

mas gostava de o ser,

sem querer igualar-me aos que,

de tão grandes,

me enchem a cabeça de leituras extasiantes,

mesmo assim,

lavro no papel tudo o que me vai no espírito.

Como eu adoro escrever,

e aviso, vou continuar,

ainda que poucos leiam o que escrevo, vou continuar.

01
Jan21

Tinha pressa, muita pressa (2013)


canetadapoesia

 

 

Já tive pressa, muita pressa,

e tanta que pelo caminho deixei

parte essencial da minha vida.

Sim já tive pressa, muita pressa,

que afinal não me conduziu a lugar nenhum,

não me trouxe riquezas ou bens materiais,

mas sim a tristeza dos belos momentos perdidos,

porque tinha pressa, muita pressa.

E com essa correria, perdi, perdi muito

daquilo que a vida nos dá de belo,

de ver crescer os meus filhos,

de os acompanhar mais quando se sentiram sós,

de os abraçar e beijar tantas vezes quantas mereciam,

mas eu tinha pressa, muita pressa.

E hoje, arrependido do tempo perdido,

tento atalhar caminho,

com beijos e abraços,

com carinho e amor,

porque já não tenho pressa nenhuma,

porque quero eternizar os pequenos momentos,

ainda que tenha perdido muitos,

por ter pressa, muita pressa.

Pela minha pressa lhes peço perdão,

pela minha falta, lhes peço desculpa,

pela minha desilusão e arrependimento lhes digo,

não tenham pressa, não tenham muita pressa,

que a vida passa num instante e,

o arrependimento tardio

não nos traz a satisfação perdida.

Já não tenho pressa, não tenho pressa nenhuma.

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