Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2021

A magia da lua (2013)

 

 

Está mágica a noite, um pouco fria é certo,

mas mágica no sentido em que

nos deixa os sentidos de tal forma engrandecidos

que não conseguimos pregar palavra.

Olhamos o alto e vemos o seu sorriso largo,

a sua luz que nos enche a alma de uma esperança já esquecida

deixa-nos boquiabertos por tanta magnitude.

É linda, é surreal e é mágica,

deixa-nos bem, deixa-nos com a alma renovada.


publicado por canetadapoesia às 22:51
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2021

Apesar de tudo (2013)

 

 

Sorrias sob os escombros em que se transformava esta vida,

onde tudo se esvaía pelos esgotos que

a humana capacidade de estragar alavancava.

Apesar de tudo, sobre estes escombros,

de teus lábios surgiam sorrisos,

tristes na sua grande maioria,

porque os alegres teimavam em se esconder.

E um sorriso teu no meio desta tempestade

fazia surgir o sol que, radioso, brilhava ainda mais,

e refazia as tristezas que insistiam em nos escurecer a alma.

Porque o teu sorriso, alegrava o mundo,

ainda que por dentro,

todo o teu corpo chorasse e sentisse a acidez da vida,

mas sorrias, e irradiavas uma felicidade que

animava tudo ao teu redor,

ainda que não sentisses.

Sorrias para o mundo que te caustica.


publicado por canetadapoesia às 23:06
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Sábado, 6 de Fevereiro de 2021

Espumando de raiva

 

 

Assim te sinto, assim te vejo, espumando de raiva, incontida,

atiras-te à areia da praia, esbates-te nas rochas duras,

procuras todos os caminhos para alcançar a humana loucura

que te comprime em estreitas margens e

por força da tua raiva tens de ultrapassar.

E eu vejo a alvura da tua ira,

quando na areia deixas a espuma branca

que do teu grito de estertor se solta da profunda garganta,

que estás inquieto, que já nada te tranquiliza.

Passas para além do que é previsível, como se isto fosse certo,

galgas muros, abates dunas, minas os alicerces,

que a divina loucura humana criou nos teus reinos,

derrubas a vaidade dos que te afrontam e se choram

pela raiva que te consome e despejas nas praias desertas,

e mesmo assim, és consciente porque esperas

que as gentes inconscientes se afastem e depois,

sim, depois, atiras toda a tua raiva sobre a terra que te rodeia

e avisas, não se aproximem mais, não se cheguem mais perto,

que eu, no direito à indignação que me assiste,

vou destruir todas as vossas arrogâncias.

Ruges assustadoramente e as gentes encolhem-se.


publicado por canetadapoesia às 22:04
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2021

De lágrima fácil (2013)

 

 

Sou de lágrima fácil,

com alguma dificuldade as contenho

quando diante dos olhos me passam as injustiças.

Sou de lágrima fácil,

quando o sentimento fala mais alto

e a ternura dos momentos me abre os diques.

Sou de lágrima fácil,

mesmo quando as contenho

e no rosto ficam as marcas por onde,

nos sulcos que a vida abriu,

correriam soltas e sem embargos.

Sou de lágrima fácil,

mas só para os momentos em que a alma

se desprende das grilhetas e se mostra no meu rosto,

velho e cansado, mas humano e solidário.

Sou mesmo de lágrima fácil.


publicado por canetadapoesia às 22:58
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2021

Vazio (2013)

 

 

O que sinto?

Um vazio, um buraco,

onde nada entra e de onde nada sai.

Uma sensação de vazio.

Mas no vazio tudo é possível,

encher, encher com contenção,

ou transbordar em rios incontroláveis,

avessos à servidão de que a ganância se alimenta.

E a mansidão, aquela onda serena que nem bate na praia,

num repente de descontrolo se transforma,

na vaga que há de tragar a terra que a rodeia.


publicado por canetadapoesia às 22:57
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2021

Imagens (2013)

 

 

Uma a uma as fui desfiando,

corri-as todas e ainda havia mais,

já não podia continuar, estava cansado.

Ver tantas fotografias, antigas,

imagens de um tempo em que ainda nem imaginava

que um dia viria a sonhar, e se sonhei.

Mas como tudo na vida, foram sonhos,

cada um com a sua estória, com o seu desenlace,

mas sonhos sim e ali estava muito dele.

Repetiam-se de pequenino, a maiorzinho,

os bisavós, os avós, os pais, o irmão,

tiradas aqui e ali, por esse mundo fora,

de São Tomé ao interior de Angola,

pela terra vermelha até à cidade.

Uma infância cheia de riquezas imateriais,

plena de vida,

vivida nas melhores e piores circunstâncias.

Uma infância, uma vida de recordações.


publicado por canetadapoesia às 21:41
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2021

Frases (2013)


 



“Logo que surja a oportunidade”,

frase de esperança e desesperança,

quantas vezes ouvida por quantos a odeiam,

é um chavão que empata, que destrói e,

corrói as esperanças de quem procura.

Como uma sentença,

quem a ouve reduz o seu amor próprio,

queda-se no mutismo da indiferença de quem a profere,

e sem sentimentos que nos humanos

deveriam ser inerentes,

derruba as esperanças de futuros

sonhados e entusiastas.


publicado por canetadapoesia às 22:49
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Ecoa-me (2013)

 

 

Um som próximo, escolhido no momento,

ecoa-me nos ouvidos, anima-me a noite,

soa-me quase silencioso e sentido,

Rachmaninoff Prelude in g minor op. 23  x,

Sobe e desce o tom das teclas do piano,

recosto-me na cadeira,

cruzo os braços por trás da cabeça,

relaxo, e ouço a maravilha que me enche a cabeça,

e pelos ouvidos por onde entra,

invade todo o meu ser de uma imensa serenidade.


publicado por canetadapoesia às 22:47
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