Quarta-feira, 31 de Março de 2021

Vontades e desejos

 

 

Quando se abriu,

algo se fechou inexoravelmente,

até quando, não sabemos,

alguma coisa desponta agora

por entre as neblinas do tempo,

que o princípio do tempo se encarrega,

contra a vontade de uns,

a favor dos desejos de outros,

de fazer renascer na mente daqueles

que esquecem, que não conheceram, que não conhecem

a realidade dos dias sombrios,

que um céu estrelado, quente e pelo sol iluminado,

escondia nas noites mais escuras

do tenebroso breu de um passado sombrio,

por isso lhes digo, conheçam, investiguem,

mas não deixem que a cor da vida

seja de novo pintada a preto e branco.


publicado por canetadapoesia às 22:52
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Terça-feira, 30 de Março de 2021

O que importa (2013)

 

 

É sentir o céu azul sobre os olhos,

como cama

a erva verde acabada de orvalhar,

e no coração

o calor do sol.

As pálpebras fechadas,

o sentir do corpo abençoado

pela luxuriante natureza

e a alma solta pela sensação de liberdade.

É o que importa,

e o que nos traz a sensação da felicidade.


publicado por canetadapoesia às 23:00
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Segunda-feira, 29 de Março de 2021

Sonhatório (2013)

 

 

Em cada patamar uma placa,

dizia simplesmente uma palavra,

sonhatório,

as escadas continuavam,

subiam mais um andar,

sonhatório lá estava,

uma só palavra,

indicava mais alto,

mais perto do céu,

sonhatório,

local de sonhos ou para sonhar,

lá estava no último andar,

bem junto às estrelas,

pertinho da lua,

coberto pelo céu,

o local onde os sonhos se podem sonhar,

o sonhatório.


publicado por canetadapoesia às 23:12
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Domingo, 28 de Março de 2021

Vendedor de sonhos (2013)

 

 

Com tamanha audácia consegues superar

toda a pequenez de quem te contraria,

e vendes sonhos,

que nem sequer são sonhados,

mas que no desespero com que as gentes andam,

a eles se agarram e acreditam,

escaldados que estão, acreditam ainda assim,

mas como a razão é mais forte

e já conhecem outros sonhos sonhados e garantidos,

que o tempo lançou ao engano,

na vertigem da mentira, no desengano,

ainda acreditam sim, mas de pé atrás,

e já não é em ti que acreditam,

logo tu,

que vendes sonhos e nem sequer são sonhados.


publicado por canetadapoesia às 22:48
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Sábado, 27 de Março de 2021

Similitude (2013)

 

 

Absorvido pelo brilhante metalizado da torneira

fixei o pingo de água que se desprendeu,

soltou-se do fio que o conduzia,

caiu desamparado no lavatório e,

como num gigantesco microscópio,

dei por mim a seguir-lhe o movimento,

vi-o tombar, bater no fundo,

com espanto, vi que um simples e frágil pingo,

se espalhou por uma vasta área.

Pensei com os meus botões, única forma de pensar para mim,

se fosse um pingo de amor,

que caísse do céu aos trambolhões nesta imensa terra,

e dessa queda surgisse uma enorme cadeia de micro pingos

que ao espalharem-se livres, produzissem amor,

em quantidade e com a qualidade

que o mundo merece e urgentemente necessita?


publicado por canetadapoesia às 23:22
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Sexta-feira, 26 de Março de 2021

E se de repente… (2013)

 

 

E se de repente, o céu ficasse azul,

brilhante e sem nuvens?

E se de repente, o sol brilhasse,

aquecendo o mundo frio que nos envolve?

E se de repente, a lua se enchesse de luz,

iluminando a noite escura que nos cerca?

E se de repente, na noite iluminada surgisse

um concerto dado pela natureza em toda a sua força?

E se de repente, o mal fosse erradicado do mundo

e em seu lugar surgisse o amor?

E se de repente, os sonhos se materializassem

e o mundo os assimilasse sem reservas?

Que mundo maravilhoso seria!

E se de repente, o poeta se calasse,

deixasse de escrever poemas e odes de esperança à vida?


publicado por canetadapoesia às 22:50
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Quinta-feira, 25 de Março de 2021

Quando me ponho a sonhar (2013)

 

 

Vejo um mundo perfeito

sempre que me ponho a sonhar,

procuro não me distrair,

não parar o sonho seja pelo que for,

porque o sonho é a minha realidade,

sonhada, é certo, mas tão possível e tão sonhada.

Se acordo sem querer

e me deparo com a realidade

que me desenrola do sonho,

me tira o sorriso do rosto e,

me faz entristecer, envergonhar,

fico inerte perante ela,

porque afinal nada é como o sonho,

mas continuo com a esperança viva,

porque “Quando um homem sonha, o mundo pula e avança”.


publicado por canetadapoesia às 23:22
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Quarta-feira, 24 de Março de 2021

Pai galinha (2013)

 

 

Parece uma contradição,

mas não é, nada contradiz,

bem pelo contrário, reforça.

Um pai pode ser “galinha”,

não no sentido literal da palavra

mas no interesse que põe

em tudo que aos pintainhos diz respeito.

Talvez fosse melhor dizer “uma galinha pai”,

não sei qual a melhor maneira

de expressar o que se passa no coração

e extravasa o sentimento.

Mas é assim, seja como for e qual a melhor,

as frases só são importantes

pelo que transmitem e não pelo que dizem.

Mas sinto-me assim,

como em qualquer delas, sou sempre um pai,

que por vezes até pode ser galinha.


publicado por canetadapoesia às 22:42
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Terça-feira, 23 de Março de 2021

Ausência (2013)

 

 

Os sons chegam-me quase inaudíveis,

não é que estejam longe,

ou que sejam em surdina,

mas é que os ouço em repetitivas cantorias,

sonoridades sonolentas e rítmicas,

sem encanto, sem efeito, indolentes.

Encerro os meus canais auditivos,

não ouço o que não quero,

os sons que me chegam

vêem quase silenciosos,

pequenos rumores se aproximam,

longínquos à minha audição.

Sinto-me ausente do ruído real,

ausente do discurso que me rodeia,

só deixo entrar o que quero,

mesmo estando presente, estou sempre ausente.

Vejo, falo, ouço, não vejo, não falo, nem sequer ouço.

Porque não quero e me recuso.


publicado por canetadapoesia às 23:35
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Segunda-feira, 22 de Março de 2021

Comemora-se (2013)

 

 

Afinal comemora-se, livremente,

e todos falam e afiançam veementemente,

que o fazem em liberdade, livres,

coisa nova, coisa pouca ou coisa muita,

mas coisa com certeza, ou não.

Ouvimos e abanamos a cabeça,

ganhámos a democracia, a guerra, a liberdade!

E que se diz aos que tudo isto perderam?

É a mudança, são os danos colaterais,

mas são pessoas, são gente como os outros.

Seres humanos apanhados na voragem da liberdade.


publicado por canetadapoesia às 21:45
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