Domingo, 21 de Março de 2021

No habitual (2013)

 

 

É andar de um a outro lado,

o habitual, correr para aqui e ali,

perseguindo o perpétuo movimento

que a vida obriga a percorrer.

Latejando pela pressa,

coração a disparar em cavalgada

desnecessária face às prioridades

que definem as correrias,

como nefastas ao equilíbrio

de uma vida que se quer feliz.

Então procura-se,

com o alargar da passada,

chegar mais cedo,

correr para a meta e,

na loucura da corrida

se perde o essencial que a origina,

o encontro da felicidade.


publicado por canetadapoesia às 22:58
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Sábado, 20 de Março de 2021

Debaixo desta lua

 

 

Passo-lhe por baixo, muito abaixo,

bem gostaria de estar mais próximo,

mas ela, altiva e deslumbrante,

não permite mais que o olhar, de longe.

Hoje está prenhe, cheia e redonda,

a sua luminosidade encanta e espanta,

olho-a e sonho,

deslumbro-me e deixo fluir as sensações,

que de tão cheias desta lua inchada,

me comovem até ao embargo da voz

que nem quero ouvir, só um murmúrio,

está tão bela esta lua.


publicado por canetadapoesia às 23:47
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Sexta-feira, 19 de Março de 2021

O choro do combatente (2013)

 

 

Falou, falou, explicou e embargou-se.

Ali à sua frente imaginava o combatente,

empedernido em guerras que não gostaria de fazer, mas que,

as honras da farda obrigaram e a defesa dos cidadãos impunha.

Ali, comemorava-se a data da liberdade,

o dia em que chegou finalmente ao fim o seu calvário,

o País estava livre, seria democrático e ele

regressaria à paz que sua alma exigia.

E então falou, falou, explicou tudo o que aconteceu,

contou os seus sonhos, esperanças e desilusões,

com a voz embargada, a fala toldada pela comoção,

sacou o lenço para se assoar e de caminho,

secar as lágrimas que traiam a sua condição de ex-militar.

Forte e duro, justo e correcto, caiam-lhe as lágrimas,

e eu que assistia, deixei cair as minhas também,

e verifiquei que afinal, os combatentes são quem mais chora,

porque também são os que mais conhecem os revezes da luta,

conhecem as misérias da guerra e não queriam a paz de miséria.


publicado por canetadapoesia às 21:36
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Quinta-feira, 18 de Março de 2021

A lua e o halo (2013)

 

 

Quando me deitei olhei-te pela janela aberta,

estavas resplandecente,

não fosse o halo que te rodeava

prometerias um dia excelente,

mas o esbranquiçado quase transparente

que te abraçava,

denunciava um dia cinzento.

Independentemente das minhas divagações,

fixei-te profundamente,

senti os teus contornos,

afundei-me nos teus vales,

rebolei sobre ti sem que isso me envergonhasse,

libidinosamente te senti perfeita.

Lentamente, sem oferecer resistência,

deixei-me ir em teu regaço,

embalado por teu encanto e iluminado por teu brilho,

adormeci suavemente e tu, lua brilhante,

embalaste o meu sono até que o sonho despertasse.


publicado por canetadapoesia às 21:57
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Quarta-feira, 17 de Março de 2021

Natureza em força

 

 

Sobre um painel de verde luxuriante

despontavam pequenas flores selvagens,

nem por isso menos delicadas,

no conjunto, uma palete de cores vivas,

amarelas, roxas, azuis e brancas sobre o tapete verde,

davam ao ambiente o ar de festa primaveril

que anualmente se repete e logo se consome.

Perante tamanha força da natureza,

que sem ajuda humana se resplandece diante de nós,

paramos por momentos e pensamos na nossa pequenez,

de olhos postos no céu, soltamos um agradecimento

quando olhamos à volta e damos com tanta delicadeza,

que por trás tem toda a força da natureza.


publicado por canetadapoesia às 22:55
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Terça-feira, 16 de Março de 2021

Painel

 

 

Cheguei e sentei-me, frente ao painel,

numa cadeira com pedigree, de Daciano,

esse grande homem do design, antes mesmo de o haver,

enorme, deslumbrante e luminoso na cor das suas tintas.

Absorvido pelas imagens que emanava,

fui-me introduzindo no que representava,

e ali, naquela parede, toda ela ocupada pelo painel,

um gigantesco quadro que ilustrava e mostrava,

toda a história de um pequeno País,

que se fez grande através dos séculos,

que se retraiu com os ventos da mudança,

e que hoje, não representado no painel,

não se reencontra nas marés,

que rebeldes e furiosas,

varrem os seus cidadãos,

um pequeno País que podia ser tão grande.


publicado por canetadapoesia às 22:28
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Segunda-feira, 15 de Março de 2021

Trinados (2021-03-15)

 

 

Hoje desconfinei-me,

por motivos inadiáveis,

imponderáveis mesmo.

Ao percorrer parte da cidade

passei por locais até ontem sombrios,

sem o movimento adequado

ao que ditou a sua criação, a sua construção.

Hoje passei por locais de culto,

por locais de futuro, de conhecimento,

locais de formação de gerações do futuro!

Hoje ouvi trinados,

vindos de pátios cuja vida tardava em reaparecer,

ouvi passarinhos cujo chilrear me abriu o coração

da esperança e da garantia que a vida vai continuar.

Hoje ouvi os pardalitos desta cidade,

que corriam e saltavam alegres,

que brincavam e conviviam unidos

como se nunca se tivessem separado,

como se nunca tivessem parado.

Hoje ouvi os trinados dos passarinhos

que por demasiado tempo,

estiveram ausentes desta cidade,

estiveram ausentes de nós.

Hoje ouvi o futuro.


publicado por canetadapoesia às 23:24
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Domingo, 14 de Março de 2021

Sentimentos sentidos (2013)

 

 

Emulsiono os sentimentos

em verdes prados de ternura,

determino o momento de os soltar

deste peito dorido em que se acoitam,

quando os solto, desenfreados,

correm-me pelo corpo em estertores

que desafiam qualquer lógica racional.

Perco-me neles e sinto-os,

desde a nascente ao poente,

começam no coração que se transforma

em batidas sucessivamente mais fortes,

percorrem-me o corpo em tremores e arrepios,

desaguam nos olhos em marés conflituantes,

derramam-se por terra em gotas de prata,

translúcidas e fertilizantes da vida.


publicado por canetadapoesia às 20:27
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Sábado, 13 de Março de 2021

Fixo o olhar (2013)

 

 

Porque te olho tão insistentemente?

Porque não consigo desviar o olhar de ti,

porque os meus olhos estão esfomeados

de olhar os teus e fixar o que vai dentro deles,

olho-te com prazer, com paixão, com devoção mesmo,

porque estou sedento de ti, saudoso.

Quando se fixam em ti, brilham,

brilham muito mais, porque de dentro deles,

bem no fundo deste olhar, à uma ternura imensa,

que se esgota dentro do teu, sobre ti,

e na ânsia de me apoderar de cada momento,

olho-te, fixo-me em ti e deixo o olhar brilhar,

com as lágrimas que se soltam

de dentro de meu coração e fogem,

correndo pelo canal lacrimal até me nublarem o olhar,

quando olho para ti e fixo o olhar.


publicado por canetadapoesia às 22:52
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Sexta-feira, 12 de Março de 2021

A lua apressada (2013)

 

 

Estava quente o dia e eu caminhava já há bastante tempo,

nos pés sentia o calor do sol,

não o calcava, mas sentia-o vindo da terra,

ao fundo da rua uma árvore, num quintal plantada

mas descaindo para a estrada de ramos estendidos,

como quem prefere proteger quem pela rua passa.

Aproveitei e fiz uma pausa,

descansei os pés e refiz a alma,

porque debaixo daquelas ramadas,

num banco de madeira corrida,

olhei o céu por entre a folhagem que despontava,

e nesta primavera tardia, vi o azul que se sarapintava,

lá ao longe, nuvens alvas de tanta brancura e,

no início da tarde morna, despontava no alto a lua,

branca, maravilhosamente brilhante.

Olhei-a desconfiado, aquela não era a hora da lua,

mas ela sorriu-me do alto da sua imponência,

e eu percebi que qualquer hora é hora da lua.


publicado por canetadapoesia às 23:00
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