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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

10
Mai21

Voar em pensamento (2014)


canetadapoesia

 

 

Não tenho asas, logo não sou uma ave e nem voo,

apesar de haver aves que não voam,

mas eu, nem ave sou, mas tanto que gostava de voar.

Vai daí deixei-me estar quietinho no meu canto,

que só assim os neurónios funcionam melhor,

e pus-me a pensar!

Como haveria de o fazer?

Se eu gostava tanto de voar, como consegui-lo?

E não é que no cantinho obtive a resposta?

Nada mais simples.

Pôr o coco a funcionar, largar as amarras do pensamento,

ao vento, que ele ajuda e empurra, e voar!

Voar com o pensamento, sem restrições,

porque com ele não precisamos de passaporte,

nem sequer bilhete de avião, ou outro transporte qualquer.

Voar, voar livre nas asas do vento, pensamento ao alto,

libertar, libertando-me e assim voar.

E de repente senti-me elevar no etéreo, voando,

por longínquas paragens, vendo as mais belas paisagens,

sobretudo, voando em pensamento.

09
Mai21

A Europa que sonhei (2014)


canetadapoesia

 

 

Ali estava eu, perante o sonho,

defronte da Europa que sonhara,

e era esta, desta forma, mais ou menos assim,

talvez com ligeiros retoques,

ainda que mínimos, sem grande importância,

mas a Europa que me levou ao sonho,

de um europeu que se quis assim mesmo,

que se meteu a europeu como os europeus,

ainda que mais próximo do Magrebe,

mesmo junto a uma África que,

em estado ainda impróprio, relativamente a esta Europa,

faça também parte deste mundo, com fronteiras ligadas,

com os restantes que da Europa são países e mais ainda,

valores, princípios e cultura aproximadas.

A Europa que eu sonhei.

Esta frase está no que aqui encontrei,

onde as diferenças se esbatem,

não onde se alavancam até não se descortinarem as pontes,

a Europa que propõe a alternativa muito mais ecológica,

dos carros eléctricos que se cruzam nas suas ruas,

ao invés do automóvel poluidor,

e que prefere a felicidade do seu povo,

em vez de apostar na destruição da sua cultura.

Esta é a Europa que eu sonhei.

08
Mai21

Lua cheia (2014)


canetadapoesia

 

 

Aqui aprecia-se a lua,

deitado de cara para ela,

vendo-a entrar no quarto,

sem cerimónias,

sem pedidos de permissão.

Vai entrando,

enchendo de luz tudo o que a rodeia.

Noite de lua cheia,

em que os lobos uivam nas serras

e na cidade mansa se aprecia o seu brilhar.

07
Mai21

Um dia de novo (2014)


canetadapoesia

 

 

Despertou o sol e nos minutos que o antecederam,

a aurora anunciou-o em cores pintadas no céu.

Um novo dia se aproximava pleno de vida,

cheio de novos caminhos a escolher,

dentre eles os do amor, da tolerância,

do respeito e da amizade.

E tanto que o mundo precisa deles.

com a urgência que a humanidade exige,

para ser considerada humanidade.

06
Mai21

E, no entanto, roda… (2014)


canetadapoesia

 

 

E, no entanto, a terra roda,

a vida continua e o mundo não pára.

Mas para onde caminha esta humanidade?

Que destrói os sonhos,

espezinha as gentes,

despreza a civilização,

determina a ignomínia

da fome e das necessidades

daqueles que deveria amar,

que deserda os herdeiros da terra,

deste mundo que, sem eles nada seria,

que universo será este,

sem os seus filhos dilectos?

05
Mai21

Da língua


canetadapoesia

 

 

Nesta amálgama de gente,

que num congresso fala,

muito haveria a dizer,

fixemo-nos na língua,

e espantosamente,

assombrosamente me dou conta,

de que a maioria dos intervenientes,

de origens diversas no nascimento,

falam a língua portuguesa,

tão nítida, tão clara, tão melhor do que eu,

que me sinto pequenino, insignificante até,

face a esta enorme gente.

Tenho, evidentemente, de agradecer,

a estas pessoas que tão bem a honram.

A língua portuguesa está viva,

não precisa de acordo ortográfico,

e recomenda-se como língua universal.

04
Mai21

Sonhos “insonhados” (2014)


canetadapoesia

 

 

Deserta estava a praia e a criança remexia

na areia molhada que lhe servia de sonho,

de cada minúsculo grão construía partes do seu castelo,

indiferente ao marulhar das ondas,

que no seu ciclo na praia se deitavam,

esticando-se sobre a areia onde a criança sonhava.

Onde não havia multidão, havia areia e praia,

longa e silenciosa, onde se ouvia de quando em vez,

uma gaivota solitária que esvoaçava sobre ela,

levantava os olhos, imobilizava-se por momentos,

logo voltava à areia, construindo o seu castelo,

sonhando os sonhos “insonhados”,

que um dia serão o seu futuro e ali,

na areia molhada, os construía.

Corria pela praia e castelos de sonho criava,

sem multidões, sem que a praia estivesse repleta,

sozinha, uma criança sonhava.

03
Mai21

Sempre fiel (2014)


canetadapoesia

 

 

Ao meu lado, deitado,

quase imóvel, mas atento,

a cada movimento meu,

uma orelha levantada

e se sou mais brusco,

num repente se levanta,

escutando os ruídos que a minha intolerância

produz aos seus ouvidos sensíveis e fiéis.

Um cão, que não é de guarda,

mas de amizade,

de uma estima que me ultrapassa,

que se mantém num olhar impassível,

quando lhe falo com carinho ou raiva.

Distingue as situações e conhece-me,

sabe quando estou triste ou alegre,

a sua postura adequa-se a cada situação.

Um fiel amigo, um amigo fiel,

companheiro inseparável em todos os momentos, o meu cão.

01
Mai21

Tarde dormente (2014)


canetadapoesia

 

 

Pela tarde sonolenta,

com o brilho do sol e o calor dos seus raios,

debaixo de um céu azul

onde despontam fiapos de algodão,

cuja brancura nos remete à pureza da alma,

olhamos a planta que renasce,

a flor que desabrocha,

e num carreirinho laborioso,

as formigas que se apressam a armazenar

o sustento do inverno que virá.

Olhamos a vida em todo o seu esplendor,

tomamos a consciência da sabedoria suprema

em que o nosso universo foi urdido,

sentimo-nos tão pequeninos,

que as estrelas a despontar ao fim da tarde,

lá ao longe, tão longe que as não alcançamos,

são afinal os enormes moinhos de vento

que a nossa ignorância consegue criar.

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