Segunda-feira, 30 de Agosto de 2021

O meu nariz (2014-09-15)

 

 

É o que é,

e sente os cheiros e os odores,

mas não me engana,

não engana não senhor,

tem todo o ar de ser aquilo que desconfio que seja.

Perdeu-se no tempo a origem,

não se perdeu outra descendência,

que vem de um País,

que vem de onde se concentraram,

que vem das terras Beirãs.

Mas a sua verdadeira origem,

é muito mais profunda,

vem do mundo,

vem de outros mundos,

remonta à antiguidade,

e por muito que olhe vejo-o sempre como acho que é.

Devia estar em terras do oriente.


publicado por canetadapoesia às 23:11
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Domingo, 29 de Agosto de 2021

Esta gente é de um liceu que lançou ao mundo o que de melhor ele tem (2014-05-31)

 

 

Esta gente tem um tempo,

que é longo,

que se perde no próprio tempo.

Um tempo que se renova a cada ano,

em cada novo encontro,

em cada nova alegria de se ver,

encontram-se com a saudade que se faz presente,

e dançam.

Dançam até cansar,

e só se cansam lá para as tantas da madrugada.

Esta gente é a minha gente,

com eles, muitos deles privei de pequenino,

com outros menos,

mas com todos criámos um mundo,

de futuro que se quebrou,

de presente que se alarga,

em sons de outros e deste tempo,

com as saudades que só as saudades reconhecem.

Esta gente é de uma terra,

onde um liceu lançou ao mundo o que de melhor ele tem,

por isso todos os anos se recordam,

por isso a saudade é o presente,

de tanto futuro adiado,

de tanta vida quebrada,

mas a saudade é a alegria,

do presente e reencontro,

renovado,

com a garantia de que para o ano há mais.


publicado por canetadapoesia às 23:19
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Pelos caminhos (2014-09-27)

 

 

Pelos caminhos andámos,

distantes um do outro,

mas ao longe, a perder de vista,

havia um cruzamento e aí nos encontrámos,

e, pela bifurcação mais próxima nos desviámos,

criámos um novo caminho,

um caminho para os dois.


publicado por canetadapoesia às 01:23
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2021

À minha volta (2014-09-12)

 

 

À minha volta fui encontrando,

em cada novo dia,

em cada nova proposta,

uma trocista e malévola curiosidade,

uma silenciosa oposição.

Que era eu?

Que, relativamente bem pago,

não me cansava de rabiscar e propor,

sim, propor,

coisas novas,

mudanças nas mais antigas,

inovações, como soe dizer-se.

Pois não sou nada mais que um inocente visionário,

não serei nunca,

ainda que soçobrando pelo caminho,

nada mais que um apostador de futuros.


publicado por canetadapoesia às 21:35
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2021

Arestas (2014-09-16)

 

 

Afiadas,

que cortam,

que ferem,

que matam.

 

Arestas,

que se limam,

que se arredondam,

que se despem da maldade corrente.

 

Arestas,

que podem atingir uma perfeição grosseira,

como os calhaus que no rio,

a corrente vai desgastando até à foz,

e nesse percurso se arredondam e aveludam.


publicado por canetadapoesia às 22:57
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2021

De uma terra distante (2014-09-14)

 

 

Não sou daqui, não,

também não sou daí.

Daqui não sou porque me sinto desterrado daí.

Daí não sou porque me desterraram para aqui.

E não me digas que o teu sangue é melhor que o meu,

que te dá o direito de seres daí e de me empurrares para aqui,

porque o teu nasceu daí e das cidades onde vives,

das gentes que julgas tuas porque têm a mesma cor,

e a minha não, a minha é diferente.

Mas o meu sangue também nasceu daí,

cresceu e desenvolveu-se com outras cores,

apesar da minha cor ser diferente,

mas sobretudo, cresceu do interior dessa terra,

onde nunca puseste o pé,

das selvas verdes que me rodeavam, do mato profundo,

cuja companhia eram as feras que rugiam nas noites enluaradas,

nasceu das picadas imensas para chegar a casa,

sem asfalto nem cidades, só mato, verde e selva.

Não, não sou daqui, sou mais daí,

mesmo que, eternamente, tenha de viver aqui.


publicado por canetadapoesia às 23:34
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2021

Pérolas (2014-09-15)

 

 

A vidraça embaciada

deixava transparecer o que ocorria no exterior,

coisa comum nos invernos desta terra.

 

Mas não estamos no inverno,

já voaram as andorinhas,

já desabrocharam flores,

e a vidraça, ainda assim, está embaciada.

 

No exterior escuta-se um ribombar,

um olhar mais atento mostra que,

em catadupas cai a chuva.

 

Bátegas fortes, violentas,

e quando amainam,

caem gotas largas, pingam do alto,

como pérolas inundam a terra que as recebe

e se apossa da vida que transportam.


publicado por canetadapoesia às 22:17
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Domingo, 8 de Agosto de 2021

Folha em branco (2014-09-12)

 

 

Com uma folha em branco,

diante de mim,

tento, em vão, escrever,

não consigo,

procuro as palavras,

não as encontro.

Envergonhadas, arredias,

não me aparecem pela frente,

não me saem com a fluidez que pretendo.

A palavra é por si só uma coquete,

aparece quando quer e bem lhe apetece,

meneia-se entre os neurónios e reflecte-se a nossos olhos,

de quando em vez deixa-se cativar,

e nessa altura enchemos a folha de papel.


publicado por canetadapoesia às 21:59
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2021

Aspectos da felicidade (2014-08-10)

 

 

Um vasto campo

florido pela chegada da primavera,

uma solitária árvore

frondosa quanto baste,

uma bicicleta,

uma máquina fotográfica,

e um livro.

O resto é o olhar que se esvai

pelo horizonte que abarca,

pelo céu que alcança.


publicado por canetadapoesia às 22:46
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2021

Amarelo (2014-09-16)

 

 

Vibrante de força,

pujante na aparição,

saliente entre o verde da floresta.

A giesta amarela,

que cria na natureza uma paleta

de matizes tais que só a cor do sol,

no seu esplendor,

se lhe pode comparar.

Fabuloso amarelo sobre verde,

um extraordinário abraço da natureza.


publicado por canetadapoesia às 22:44
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