Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

Campo de estrelas (2010)

 

 

No céu um rastro luminoso de pontinhos esparsos,

um negrume imenso de onde só ressaltam as estrelas.

Brilhantes e cintilantes,

tantas que não consigo contá-las.

Mas o olhar, o meu olhar,

esse esculpiu-as em sucessivas constelações.

Agora, sobre o negrume do espaço,

os pontinhos brilhantes passaram a ser algo mais próximo.


publicado por canetadapoesia às 21:52
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2019

A Guerra (2010)

 

 

Disseste-me que era necessária,

argumentaste que levava à paz.

Vestiste-me e armaste-me de forma sumária.

Preparaste-me física e psicologicamente,

mandaste-me avançar e matar se necessário.

Tudo em nome e defesa da Nação.

Tenho de te confessar que não cumpri,

recusei-me a ser o ceifeiro da morte,

na seara da vida humana.


publicado por canetadapoesia às 23:59
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Verde (2010)

 

 

Foi então que ouvi.

O vento que assobiava ao meu redor,

sussurrou-mo.

Ao princípio nem percebi,

parecia-me um ruído como outro qualquer,

mas não era.

Por entre as rajadas uivantes consegui,

finalmente,

escutar a voz.

Uma voz distante,

quase imperceptível,

mas agitada, suplicante.

Ajuda, peço ajuda.

Despertei os sentidos, apurei a vista,

foi então que deparei com ela.

Retorcida, meio quebrada,

ainda assim com a vitalidade que só a natureza possui.

A pequena árvore aguentava-se,

apesar dos maus tratos ia espalhando o verde,

que nos mantém vivos,

tanto quanto lhe era possível.


publicado por canetadapoesia às 00:15
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Domingo, 4 de Agosto de 2019

No fundo da gaveta (2010)

 

 

No fundo de uma gaveta,

jazia há muito a poesia.

Dali não saía,

atormentada pelo brilho de grandes poetas que,

na sua superior magnificência,

a fariam empalidecer de vergonha.

Afinal quem sou eu,

para me postar ao lado de gente tão ilustre e conceituada?

Não sou nada.

Não sou ninguém.

Apenas uns lampejos de alma,

apenas unas gotículas de sentimento.

Mas sou poesia, caramba.

Da mais sentida,

da mais profunda.

Daquela que só aparece vinda de muito fundo do coração.

Abriu-se a gaveta.

A poesia saiu e espraiou-se pelo mundo.


publicado por canetadapoesia às 21:49
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Sábado, 3 de Agosto de 2019

Existência (2010)

 

 

Não quero limitar-me a esta existência.

Procuro a essência daquilo que da vida se faz vida.

Debaixo de todo o amontoar de passado, rastejo,

e busco o éter do sublime.

Não quero limitar-me, jamais, a esta existência.

Procuro os campos verdes que nos levarão a prados azuis.

Quero a sublime elevação dos justos e,

busco as vestes da inocência, habito os passos dos culpados,

mas não quero limitar-me a esta existência.


publicado por canetadapoesia às 23:58
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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2019

Sereno (2010)


 



 



Sereno é o vento,



que na sua loucura avassaladora,



nada deixa de pé.



Serenas são as ondas,



que do alto da sua imponência,



esmagam tudo o que lhes aparece pela frente.



Serenos somos nós,



que na nossa brandura,



aceitamos todos os vexames e violências.


 


 


publicado por canetadapoesia às 23:00
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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2019

Sol (2010)

 

 

Entrou pela janela,

iluminou o quarto,

foi-se espalhando,

esquadrinhou todos os metros quadrados,

finalmente repousou,

de frente,

aquecendo-me o rosto,

engrandecendo-me o dia.

Um calor matinal,

recebido directamente do rei sol.


publicado por canetadapoesia às 23:07
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2019

Gaivota (2010)

 

 

Empoleirou-se no topo de um mastro.

A sagacidade do olhar pesquisou à volta,

semicerrou as pálpebras e afinou o olhar,

o mar ali, à distância de um bater de asas.

Alisou as penas, esticou as asas,

um leve bater, um aquecimento prévio,

dois estridentes gritos e uma queda no vazio.

A força da elevação leva-a às alturas,

pica o oceano, volta a subir,

três voltas depois, retorna à posição inicial.

No seu mar, fonte de alimentação,

nada encontra para se sustentar,

vira-se para terra e lá ao longe vislumbra.

Descobre nova fonte de vida,

a lixeira humana vai passar a alimentá-la.


publicado por canetadapoesia às 23:30
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Terça-feira, 30 de Julho de 2019

Universo (2010)

 

 

Do universo só conheço os planetas e as estrelas.

Procurando dentre todas a que mais brilha,

amiúde me revejo, em noites muito escuras ou enluaradas,

calcorreando os caminhos da procura.

Sempre em vão esta busca.

Já que a mais brilhante,

a que me ofusca com o seu clarão,

de todas as estrelas a mais apetecida,

se encontra aqui bem perto do coração.

Um dia hei-de mostrar-lhe as estrelas do universo.


publicado por canetadapoesia às 22:50
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2019

Silencioso II (2014-08-31)

 

 

E se te custa muito,

não digas nada,

não faças nada,

deixa-me só,

silencioso como sempre.

Olhando o céu azul,

assistindo ao pôr do sol.

Só e silencioso,

como sempre.


publicado por canetadapoesia às 23:52
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