À nossa volta (2019-08-10)
canetadapoesia
Pelos sinais se reconhece o lugar
porque os sons que nos rodeiam
não deixam qualquer dúvida.
O grasnar dos patos relativamente perto,
mais junto à casa o cacarejar galináceo,
o galo não se cala desde os alvores
de um dia que se espera quente.
Mais afastados, a égua relincha
com a felicidade de se sentir em liberdade
num campo em que predomina a relva fresca
e apetecível aos seus instintos alimentares ou,
quem sabe se será também,
por sentir o alazão ali tão perto, mas limitado ao cercado.
É o campo, a vida agrícola que,
ao ar que ainda é livre e aqui mais puro,
se apresenta coberta destes sons da vida
que há muito deixámos de sentir na cidade.
Inebriamo-nos esta aparente sonolência
de uma vida que é dura para quem a vive,
nostálgica para quem, de tempos a tempos,
percorre a distância para a sentir
e saborear esta sensação que nos traz
renovação de sentimentos e estímulos de vida
gozando a paz campestre à nossa volta.
