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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

27
Mar14

Ainda menino e já a despontar


canetadapoesia

 

Um dia surgiu de repente,

caiu-me em cima sem contar,

e embora soubesse que me esperava,

não queria sequer pensar,

que naquele dia tinha de ser,

já não podia esgueirar-me para o lado,

não podia fugir, não podia esconder-me,

quisesse ou não, gostasse ou não,

estava irremediavelmente preso à teia,

que me impunham patrioticamente,

que me queimaria quatro anos de vida auspiciosa.

 

Tinha de “dar o nome”,

como se não soubessem onde me encontrar,

como se não soubessem de cor o meu nome,

como se achassem que era voluntariamente que o faria,

e naquela idade de menino a despontar,

com as hormonas a indiciar outras festas, outros agrupamentos,

caiu-me em cima com a força que uma Nação possui,

a obrigação de cumprir com o que ela determinava.

 

Relembro a fome, o frio, o esforço titânico,

para um menino naquela idade,

que de repente se vê manietado num horizonte fechado,

restrito e militarmente organizado,

forçadamente ensinado, treinado e preparado,

para à vida retirar vidas, para à morte fornecer candidatos,

um menino armado e treinado na pior das guerras,

em que os adversários não se viam, em que não se podia ter piedade.

 

Quatro anos de vida que agora tanta falta fazem,

que agora tão espezinhados são,

porque não vejo respeito nem honra,

em quem molesta de forma agressiva e sistemática,

quem pela Pátria deu a vida,

para que outros a vissem de outra forma,

sem ter que lhe dar nada,

voluntária e obrigatoriamente, como era de costume,

ignorantes de uma vida que nos levou parte dela,

e agora, querem levar o resto, sem nada dar.

 

Ainda menino e já a despontar, com as hormonas a aquecer,

já de idade e com as hormonas a explodir, sem piedade.

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