Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

Chamávamos-te mulato (2016-11-21)

 

 

Éramos pequenos e brincávamos todos,

de todas aquelas cores se formava o nosso arco-íris,

brancos, pretos e mestiços, éramos nós e brincávamos.

Tu eras a fonte da nossa inspiração,

chamávamos-te mulato e tu afinavas com isso,

e eram tantas as vezes que um dia,

quando menos esperámos saíste da casca e respondeste,

que não, mulato não eras, nem branco, nem preto,

eras da cor do amor e calaste-nos de vez.

Disseste então, doutamente para a tua idade,

certamente industriado pela tua mãe,

que eras de uma cor rara, a cor do amor,

e ficámos em silêncio para ouvir o que dizias,

continuaste afirmando que a tua cor era a do amor.

E era de facto, a cor do amor entre dois seres humanos,

que apesar da diferença de cor eram ambos e simplesmente,

seres humanos com “H” grande,

tão grande que geraram uma nova cor no universo.

Eras filho de um casamento não muito vulgar,

um casamento de amor e por amor,

daqueles em que as cores não interessam nem importam,

porque o amor não tem cor e prova eras tu,

com uma mãe branca como a neve

e um pai que estava longe da brancura dela,

mas no fim deram à luz deste universo um menino,

da cor do amor e isso era invejável e indesmentível.

Foi nesse dia que passámos a chamar-te amor,

ficaste mais irritado,

mas como em todas as estórias de crianças,

tudo acabou em mais uma brincadeira do arco-íris que nós éramos,

só nos perdemos no tempo porque a vida a isso nos obrigou,

mas como vês, apesar da distância que nos separou,

ainda hoje és da cor do amor e,

na saudade da separação,

serás sempre da cor dos corações sem cor.


publicado por canetadapoesia às 01:21
link do post | favorito
Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.


Mais sobre mim


Ver perfil

Seguir perfil

. 14 seguidores

Pesquisar

 

Setembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
13

18
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Nada sei de poesia (2011)

Espuma (2011)

Estradas (2019-08-01)

Paisagem Irlandesa (2019-...

Sim, eu sei… (2019-09-16)

Quando olho para trás (20...

A casa (2019-07-20)

Por estes amores (2019-07...

Se não te respondo… (2019...

Coisa boa, esta Lisboa (2...

Arquivos

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Links

SAPO Blogs

subscrever feeds