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Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

25
Abr18

Circuncisando a saudade (2018-04-28)


canetadapoesia

 

 

Primeiro vai-se entranhando, entrando devagarinho,

enche-nos o peito e deixa-nos a alma em farrapos.

Imaginamos o inimaginável e sonhamos

com regressos ao ponto de uma partida apressada,

acossada pela irascibilidade do racional que se preparou

para nos tomar aquilo a que nunca demos valor.

Corremos a pôr-nos a salvo, a proteger os nossos e a esperar

que a irracionalidade desaparecesse, que acalmasse,

que finalmente percebesse que também éramos gente

daquela gente, daquela terra,

do sítio onde nascemos e vivemos lado a lado.

Depois, passa o tempo e a resposta que tarda em chegar,

nunca é recebida!

Porque não queriam, porque não interessava,

porque seria diferente se não nos tivessem escorraçado,

o roubo descarado não seria consentido e, nessa presunção,

nos traçaram o destino… a diáspora!

Mas cansamo-nos, satisfazemo-nos e agradecemos

o terem-nos recebido e protegido,

ainda que em terras que nem conhecíamos,

chegamos ao ponto em que o retorno já não é possível,

mesmo que o quisessem e não querem!

Portanto, só nos resta circuncisar a saudade,

extrair do coração qualquer resquício de vivências passadas,

apagar as palavras escritas a giz branco

no quadro negro desta passagem de uma vida,

finalmente dizer sem parcimónia…

Estou na minha terra, aquela que me acolheu!

Estou em casa e nela contínuo a receber todos

os que me não quiseram nas suas,

porque esse é um princípio que extraí desta nova terra

que durante tantos anos me tem protegido.

Não falo nem me interessa o que se passa na outra,

recuso-me a tecer comentários, bons ou maus,

simplesmente a apaguei do mapa mental da minha alma.

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