Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Cosmos (2013)

 

 

Aventurei-me, fui por aí fora,

para além da atmosfera, ultrapassei-a,

e onde outros têm de ir em naves especiais,

vestidos com fatos apropriados,

eu fui, só com a minha roupinha habitual,

nada de fatos pressurizados nem naves espaciais.

Bastou-me levantar os braços,

assim como o super-homem.

Elevei-me nos ares,

ganhei velocidade e num repente,

volteava sobre oceanos e continentes a uma altura,

tão distante, que tudo me parecia feito a uma escala menor.

Era ver-me alucinado,

olhos esbugalhados e abertos ao mundo,

abertos ao mundo na verdadeira acepção da palavra,

porque o mundo estava ali a meus pés,

debaixo do meu olhar.

Dava voltas no ar, fazia o pino e,

até me deitava-me de costas com as mãos sob a cabeça,

incrível o que a ausência de gravidade permitia,

era um autêntico super-qualquer coisa.

Foi quando acordei do meu sonho,

mas não deixei de nele pensar.

Reflecti no que o sonho me mostrou e vi,

vi outras coisas,

descobri que podia descortinar os países,

cujo desenvolvimento fosse maior que outros e vi,

com tristeza minha que muitos se mantinham no escuro da noite,

enquanto outros,

luminosos e brilhantes a acendiam, ainda assim,

inexoravelmente caminham para uma nova escuridão,

a humana,

aquela em que o valor das pessoas,

nada significam face ao valor do dinheiro,

uma abjecta civilização que mais tarde ou mais cedo,

criará das maiores escuridões da história,

que já conhecemos e por que passámos,                

mesmo assim, o homem moderno, o sem memória,

não aprende com os erros passados e neles cairá de novo.


publicado por canetadapoesia às 00:10
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