Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2021

Da poesia, um dia (2013)

 

 

Um dia? Devia ser só um? Porque não dois ou três?

Melhor ainda, porque não todos os dias?

É que a poesia existe em nós que teimamos em escondê-la,

nós que a vivemos e sentimos bem dentro do coração

deixamos que esteja enterrada nos confins do intragável,

resistimos a mostrá-la,

a deixá-la calcorrear os caminhos do mundo,

por cinismo, por vergonha, por tristeza de vidas difíceis,

mas ela insiste, quer sair, dar-se a conhecer e, quem sabe,

alegrar alguns corações, derrubar os muros altos,

quer mostrar ao mundo que dentro de um coração triste,

também bate um segundo, bem mais alegre e optimista.

A poesia tem o seu dia, e é segundo o calendário,

mas para mim que já a deixo sair livremente e sem barreiras,

tem todos os dias que imparavelmente se seguem aos anteriores.

E escrevo-a como um vício, solto-a como um filho que,

ao longo do crescimento, ganhou asas e voou,

sofro, fico tenso, nem sequer durmo bem

quando um dia passa e nada deixo escapar deste coração

sedento de verter sobre brancas páginas, linhas seguidas

de letras desencontradas que só na poesia ganham sentido.

Escrevo, desenterro-me das profundezas do isolamento

quando no papel deixo cair umas gotas de tinta,

vejo a palavra formar-se e o poema surgir,

e nesse momento já não sou eu a escrever,

é a alma a derramar o sentimento aprisionado no peito que,

querendo ser poeta, melhorar o mundo e aprisionar outros quereres,

se deixa conhecer por aqueles que a vida caustica, mas,

no fundo precisam de poesia para se sentirem vivos e humanos.

Dela retiram o suco que à vida concede a visão do amor

que também nasce da poesia e com ela se desenvolve,

da serenidade que permite olhar o mundo de forma diferente e,

poeticamente, moldá-lo à imagem dos seus sonhos,

ainda que só em poemas aglomerados,

aqui deixo a poesia ensaiar os caminhos da esperança.


publicado por canetadapoesia às 22:12
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