O banco de jardim (2019-04-20)
canetadapoesia
Aquele era o lugar preferido do jardim
o banco que mais lhe agradava,
mal chegava ocupava-o logo.
Sozinho ali sentado com o caderno e a caneta,
não que fosse um banco especial,
o mais cuida e o menos vandalizado,
mas porque dali assistia regularmente
ao nascer da primavera no alargado relvado.
Sentia o odor que as plantas exalavam,
essencialmente as que se rodeavam de abelhas,
os pássaros compunham melodias extraordinárias
e de vez em quando vinham, suavemente,
pousar na extremidade do banco
emitiam uns trinados breves e partiam,
respondendo a chamamentos que não entendia
mas percebia como encantos da estação.
Nos dias e horas em que aqui se plantava
não havia crianças e o silêncio imperava,
só entrecortado pelos sons da natureza,
era então que imaginava o paraíso.
Um tapete verde ainda húmido das gotas
Que alguma nuvem resolvesse soltar,
Plantas viçosas e em rebentos mil,
árvores frondosas e sombra fresca.
Um paraíso!
Tudo num jardim público bem tratado
onde até a caneta deslizava
sobre as folhas imaculadas de um caderno de poesia!
