O país de sonho (2019-04-18)
canetadapoesia
Ouvia-se música ao fundo,
por entre as profundezas de Bach
escuta-se um pequeno
quase silencioso restolhar,
a caneta já deslizando sobre o papel
branco como a cal da parede
mas logo regurgitado de coisas estranhas,
ao afastar a cabeça, notavam-se
linhas horizontais e paralelas até ao infinito.
Ajeitava os óculos, aproximava a cabeça e então,
já menos desfocada a imagem,
surgiam linhas de uma escrita,
umas atrás das outras,
com um pequeno intervalo.
Palavras inteiras, frases completas,
distinguia agora nitidamente
o que nem ao escrever lhe fazia sentido,
podia ler tudo e encadear a escrita
que finalmente o transportava para longe,
para lá do horizonte finito a que tinha acesso,
via longe, mesmo além do infinito.
Sentia-se então levado de nuvem em nuvem
para o país dos sonhos onde só havia lugar para alguns,
entrava no país dos poetas e da poesia.
Estava em casa!
