Papel e caneta (2013)
canetadapoesia
Estendia-a à minha frente,
branca, imaculada,
quase uma aparição celestial,
juro que por momentos,
olhando para ela atentamente,
me pareceu descortinar um sorriso
e uma voz se fez ouvir,
eu juro que ouvi,
vem, traz a caneta,
senta-te ao pé de mim,
assim rezava a voz,
e eu sentei-me,
trouxe a caneta, pousei-a a seu lado.
O quadro era espantoso,
uma branca folha, imaculada e virgem,
a seu lado uma caneta, preta e com tinta suficiente
levantou-se em direcção à folha virgem e,
levemente ao princípio,
depois mais arrebatadoramente,
conversaram, trocaram ideias, escreveram coisas,
tornaram-se inseparáveis,
hoje é vê-las enlaçadas por momentos de puro prazer,
as letras, que ao juntarem-se,
criam palavras na folha imaculada.
