Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Caneta Da Poesia

Caneta Da Poesia

26
Jan19

Três pedras (2012)


canetadapoesia

 

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma preta, uma branca e a outra,

um mistério,

é a mistura das duas anteriores.

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

 

Recolhidas na praia por serem roliças,

lisas e tão diferentes entre si,

que suscitam alguma reflexão,

e, no entanto, simplesmente três pedras,

calhaus o que se queira chamar-lhes.

 

Questiono-me sobre o que pode conter uma pedra?

Uma alma, um sentimento, um mundo dentro de si?

Prosaicamente,

grãos de areia solidificados,

limados das suas arestas,

ao longo de centenas, milhares de anos até.

 

Um dia, apanhadas na praia,

porque alguém lhes encontrou alguma beleza,

algum não sei quê de diferente.

 

Tê-las na mão é, já de si, uma experiência nova, diferente.

Senti-las húmidas de água salgada,

acabadinhas de rolar na areia de onde foram retiradas, ou,

talvez, quentes do sol abrasador que as fustiga,

impiedosamente até que,

uma próxima onda as envolva de novo no seu sal molhado.

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

 

Uma muito branca, outra muito preta,

outra, ainda, de ambas as cores.

 

Coexistem no mesmo mar,

envolvidas pelas mesmas ondas,

roladas na mesma areia e no entanto,

simplesmente pedras, pedras de várias cores,

sem nenhum espírito de separação entre elas.

Limadas até ao extremo em que a sua textura,

se torna suave e macia ao tacto, três pedras.

 

Se nada mais dissessem,

seria suficiente gostar delas e guardá-las,

mas dizem,

dizem muito daquilo que é o mundo em que vivemos,

como se formou, como se desenvolve,

como se coexiste entre pedras que são brancas umas,

pretas outras e de ambas as cores, outras ainda.

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

 

E no entanto fica a questão,

o que podem conter estas três pedras?

Conterão, pelo menos, uma lição de vida,

três pedras de cores diferentes,

coexistem pacificamente nas praias que frequentamos.

 

E os humanos não conseguem coexistir,

porque lhes faltam muitos anos,

para limarem as suas arestas e ficarem lisos,

aveludados e macios aos contactos com outros humanos.

Tempo é o que precisamos para limar as arestas,

e como as pedras,

ainda ficaremos aveludados.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Caneta da Escrita

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub